O Bloco de Esquerda (BE) pede à comunidade internacional a condenação da "purga estatal" na Turquia e nas zonas do Curdistão e "a rutura" dos "acordos internacionais com as autoridades de Ancara" com o estado de emergência no país.

"Milhares de pessoas foram detidas, suspensas, despedidas da função pública na Turquia por ordem do Presidente. Essas pessoas não têm qualquer ligação direta ao fracassado golpe de Estado de 14 deste mês. Estavam já listadas como indesejáveis pelos serviços secretos e pelo AKP, partido de Erdogan", diz uma nota divulgada esta sexta-feira à imprensa pela comissão política do Bloco.

Nesta fase sabe-se que o Governo turco deverá emitir em breve os primeiros decretos-lei das medidas que têm vindo a ser seguidas em virtude do estado de emergência decretado na quarta-feira, após a tentativa falhada de golpe de Estado.

O BE diz que se assiste no país "não apenas à perseguição de todos os partidos da oposição com assento no Parlamento, mas a uma purga em massa do aparelho de Estado, à censura da comunicação social e à revogação de carteiras profissionais de jornalistas".

E o partido liderado por Catarina Martins vai mais longe: "A declaração do estado de exceção permite agora a Erdogan governar por decreto como num regime autocrático. Sucedem-se os bombardeamentos contra as forças curdas, as mesmas que se empenham no combate ao Daesh na Síria e no Iraque".

Em todo o processo, diz o BE, há a "cumplicidade" da NATO e da União Europeia, "capaz de pactuar com tudo para manter o vergonhoso acordo com a Turquia para bloquear os fluxos de refugiados".

"Exige-se da comunidade internacional a condenação desta purga estatal e da repressão sangrenta na Turquia e nas zonas do Curdistão, a rutura de todos os acordos internacionais com as autoridades de Ancara, a solidariedade com os povos turco e curdo, pelo restabelecimento da ordem constitucional e dos princípios da democracia", concretiza o texto bloquista.

Até ao momento, cerca de 55 mil pessoas foram despedidas na sequência da purga com que o Presidente Recep Erdogan alega querer defender a Turquia.

Escolas, fundações e associações que estejam vinculadas com o exilado político Gulen serão encerradas.

Devido ao estado de emergência, o Governo do Presidente Recep Erdogan e do primeiro-ministro, Binali Yildirim, pode aprovar decretos-lei que apenas têm de passar pelo parlamento 30 dias depois.

Os Estados Unidos, a União Europeia e a Organização das Nações Unidas apelaram à Turquia que respeite e cumpra a ordem constitucional e os direitos humanos.