O que se passou aqui na corte que estão a debater uma coisa que eu nem conhecia?", foi a desculpa de Rui Rio para justificar a anterior posição sobre a recondução de Joana Marques Vidal, cujo mandato na Procuradoria-Geral da República termina em outubro.

Por seu turno, Santana Lopes, no debate transitido pela TVI e TVI24 sobre os dois candidatos à presidência do PSD, foi claro em considerar que Joana Marques Vidal deve ver o seu mandato renovado.

Se tivesse de tomar posição como líder da oposição acho que é adequado renovar o mandato da senhora procuradora", afirmou Santana Lopes, que acusou o opositor de ter criado uma oportunidade ao Governo para afastar Joana Marques Vidal, por "no debate passado, Rui Rio disse o que disse sobre a procuradora-geral e veja-se o que fez depois a ministra da justiça, numa falta de sentido de oportunidade”.

Admitindo que "Rui Rio teve sempre uma posição muito crítica face ao funcionamento da Justiça", Santana Lopes considerou "a apreciação global para mim é positiva e por isso estranho que o meu opositor tenha feito esse balanço negativo"

Santana Lopes lembrou ainda um entendimento antigo entre PSD e PS que permite a continuidade de um procurador-geral da República, "apesar de não estar previsto na lei fundamental a renovação do mandato".

"Politizar assunto a dez meses de distância"

Tal como Santana Lopes, Rui Rio elogiou também a postura de Marcelo Rebelo de Sousa, que se absteve de comentar a questão da continuidade da procuradora-geral da República.

Fiquei muito contente com a notazinha da Presidência da República. Acho que é pedagógico", afirmou Rui Rio, admitindo ter sido surpreendido antes quando questionado sobre o assunto: "Eu nem sabia que o mandato termina em outobro. Ora, vamos politizar este assunto a dez meses de distância?".

Assumindo-se crítico - "Digo há muitos anos que não estou satisfeito com funcionamento da Justiça" - Rui Rio acabou por não assumir posição sobre a continuidade da procuradora.

O mandato só termina em outubro, não vamos começar a fragilizar, a politizar este assunto que não deve ser politizado. Isto é um não assunto. Nem sou líder do partido ainda, o partido ha-de pensar nisso no tempo próprio. Por isso não respondo nem que sim nem que não, não é tempo para fazer essa discussão”, disse.

Hipótese de Governo PS

Assumindo-se, hoje e sempre, contra uma aliança com o PS, Pedro Santana Lopes admitiu ainda assim, no debate na TVI, poder  “conversar sobre o assunto”, caso os socialistas ganhem futuras eleições sem maioria absoluta.

Eu sou contra o bloco central. Eu não faço acordos de Governo, nem para Governo com o Partido Socialista", assumiu Santana Lopes, acrescentando "eu um dia admito conversar sobre o assunto, mas tal como houve um acordo escrito em relação à procuradora-geral da República, aqui também tem de haver".

Santana Lopes defendeu, uma vez mais, que tem de "voltar a valer a regra de que o partido que ganha as eleições, governa", o que "só com "um acordo escrito", prévio. Que caso tivesse existido, faria com que "Pedro Passos Coelho fosse primeiro-ministro".

Diferente é a postura de Rui Rio, que diz querer "afastar a esquerda do poder", se bem que com estratégia que poderá ser diferente.

Se o Partido Socialista estiver em minoria, eu prefiro deixar pasar o Governo do Partido Socialista, de modo a ele estar amarrado à Assembleia da República como um todo e não apenas à esquerda. Se eu não consigo o primeiro objetivo, que é maioria absoluta, nem o segundo objetivo, que é ganhar, no terceiro, eu quero afastar a esquerda da esfera do poder", considerou Rui Rio.