O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, rejeitou a ideia de qualquer diretório ou obediência sectária na atribuição das medalhas municipais, criticando os que consideram que aqueles «que honram o Porto não devem ser honrados» pela cidade.

Rui Moreira discursava na cerimónia de entrega das medalhas municipais do Porto - que decorreu na Casa do Roseiral -, lista que gerou alguma polémica entre os partidos representados na autarquia, quer pela atribuição da medalha de Honra da Cidade ao ex-presidente da autarquia, Rui Rio, quer pela ausência do nome do presidente do FC Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa, dos galardoados.

«E ai dos que se acharem no direito de considerar que os que honram o Porto não devem ser honrados pelo Porto: não só não têm razão, como eles próprios se desonram e diminuem. Se, por dogma, razão política - mesmo legítima - ou por quezília pessoal colocássemos em causa a honra de quem pela Cidade é honrado, seria o nosso caráter - nosso, do Porto - a ser posto em causa e ficar feridos de morte», disse.

Rui Moreira garantiu no seu discurso que os galardoados pela autarquia «não são os distinguidos do presidente da Câmara Municipal do Porto ou, ainda pior, de um qualquer diretório, partidário ou não, ou de qualquer obediência sectária».

«Os que aqui honramos são, e aqui o afirmo solenemente, honrados pela cidade. A lista dos homenageados, ao contrário do que alguns pensam, não é extensa», enfatizou, acrescentando que a «cidade não esquece aqueles a quem deve».

Outro dos momentos envolvidos nesta atribuição foi a recusa, por parte do presidente da Beneficência Familiar de receber da Câmara do Porto uma medalha de mérito em solidariedade com o presidente do FC Porto, Pinto da Costa, considerando «descortês e desconfortável a confraternização» com o ex-autarca Rui Rio.

«Partilhando eu idêntica posição à do presidente do FC Porto em relação a Rui Rio [...], considero igualmente descortês e desconfortável a minha confraternização na minha cerimónia com Rui Rio», explicou António dos Santos Reis, o primeiro presidente eleito da junta de freguesia de Ramalde, numa carta a que a Lusa teve acesso.

Ainda na cerimónia, Rui Moreira garantiu que «o Porto não quer ser capital, mas sabe o papel decisivo da cidade e das cidades nesta viragem histórica em que os Estados vão perdendo soberania e novas formas de soberania e de cooperação se estão a desenvolver à frente dos nossos olhos».