O debate entre os candidatos à liderança do PSD aqueceu esta quinta-feira com Rio a criticar o mandato de Santana como primeiro-ministro e o seu adversário a acusá-lo de ser "siamês" de António Costa e de atacar o partido.

O primeiro frente a frente entre Pedro Santana Lopes e Rui Rio com vista às eleições diretas de 13 de janeiro, na RTP, até começou com concordâncias entre os dois candidatos quanto às recentes alterações ao financiamento partidário, vetadas pelo Presidente da República, e que ambos disseram não ser uma prioridade.

Quando questionados sobre o que os separava, foi Rui Rio o primeiro a responder, dizendo que não se esperam “clivagens brutais” entre duas pessoas do mesmo partido.

No entanto, Santana Lopes interrompeu-o e desafiou-o a concretizar a que se referia quando, recentemente, falou nas “trapalhadas” que teriam existido quando foi primeiro-ministro, entre 2004 e 2005.

A partir daí e durante quase meia hora de debate, os candidatos foram-se interrompendo mutuamente e confrontando-se sobretudo com posições passadas.

O que estamos a escolher é o líder do PSD cujo objetivo é ser primeiro-ministro do país. O doutor Pedro Santana Lopes teve um exercício como primeiro-ministro que correu manifestamente mal, se o candidato a primeiro-ministro for Santana Lopes todas essas fragilidades voltam ao de cima”, afirmou Rio.

Na resposta, Santana desafiou o adversário por várias vezes a concretizar que “trapalhadas” seriam essas e confrontou-o com uma carta conjunta que assinou com António Costa, quando eram presidentes das Câmaras de Porto e de Lisboa, respetivamente.

São quase siameses, o Dupond e Dupont és tu e o doutor António Costa”, acusou Santana Lopes, dizendo que Rio tem criticado, durante a campanha, mais os seus adversários internos do que o Governo.

Rio rejeitou essa proximidade com o primeiro-ministro, ripostando que foi Santana Lopes a ser nomeado pelo atual Governo – reconduzido no cargo de Provedor de Santa Casa da Misericórdia de Lisboa – e salientou que “não deve nada a António Costa”, nem António Costa lhe deve nada a ele.

Santana Lopes lembrou que Rui Rio foi seu primeiro vice-presidente quando era primeiro-ministro e que, na altura, não lhe ouviu críticas, nem públicas nem privadas.

Se há coisas que os militantes do PPD/PSD sentem é que o doutor Jorge Sampaio errou muito com a decisão que tomou”, afirmou Santana, dizendo que também poderia citar críticas que foram feitas a Rui Rio por Paulo Morais quando este deixou a vice-presidência do Porto.

Rui Rio justificou a ausência de críticas nessa época para não “degradar” ainda mais a situação em 2004, disse ter sido favorável à solução de continuidade no PSD sem eleições, mas admitiu que chegou a sugerir a Durão Barroso outros nomes alternativos aos de Santana para lhe suceder, quando o então primeiro-ministro deixou a liderança do PSD para assumir a presidência da Comissão Europeia.

Santana Lopes acusou o seu adversário de, no passado recente e atualmente, perder mais tempo em ataques internos do que à atual “frente de esquerda” e recuperou as críticas a uma conferência proferida por Rui Rio na Associação 25 de Abril, dizendo que esta representou um ataque ao Governo PSD/CDS quando Passos Coelho estava a “salvar o país”.

O antigo primeiro-ministro ‘colou’ Rui Rio ao que chamou de “grupo maravilha”, no qual incluiu Pacheco Pereira e Manuela Ferreira Leite, salientando que foi este grupo que excluiu o ainda presidente do partido Passos Coelho das listas de deputados em 2009.

“Dizes que fui responsável pela maioria absoluta de José Sócrates (…) esse grupo sabes que resultado teve, já depois de quatro anos de Sócrates? 29,1 contra 28,7%, mais umas décimas, meses depois de Paulo Rangel ter vencido as europeias ao PS”, criticou.

Rui Rio justificou a sua intervenção na Associação 25 de Abril como uma das muitas conferências em que participou nos últimos anos, onde falou sobre o regime, e defendeu que “nada tinha a ver com a governação do país”.

É preferível ir a uma associação falar sobre o regime do que arrasar Passos Coelho e querer fazer um novo partido”, contrapôs Rui Rio, numa acusação negada por Santana Lopes.

Quanto a Pacheco Pereira, disse não falar com ele “há algum tempo”, nem ter a certeza de que o antigo líder parlamentar do PSD iria votar em si. “Mas tenho a certeza que vai votar contra ti”, afirmou Rio.

“Os teus apoiantes escondem-se todos, eu mostro os meus apoiantes”, respondeu Santana, questionando porque razão não esteve Morais Sarmento, mandatário nacional de Rio, na formalização da sua candidatura.