O ex-presidente da Câmara do Porto Rui Rio considerou esta quarta-feira que a comissão parlamentar de inquérito ao Banif "não é tão isenta" como foi a do "caso BES" porque é evidente a "intenção" de uma "ala culpar a outra".

Em Braga, a discursar numa iniciativa da Escola de Economia da Universidade do Minho, o ex-autarca afirmou estar "chocado" com o que se passou com o Banif e que é "inadmissível" que a União Europeia tenha imposto a Portugal entregar aquele banco aos espanhóis do Santander, acabando por "impor" assim uma despesa ao contribuinte português.

Para o também ex-presidente do PSD, é "absolutamente nuclear" perceber se as contas apresentadas pelo Banif correspondem à realidade e, caso sejam "fraudulentas", pedir responsabilidades a quem tinha a "responsabilidade de fiscalizar" aqueles números, o Banco de Portugal.

Choca-me muito o que se passou com o Banif", começou por afirmar Rui Rio, que comentou depois a comissão parlamentar de inquérito ao processo de venda do banco madeirense.

A comissão de inquérito parlamentar ao Banif não é tão isenta como foi a do Banco Espirito Santo (BES). Já se vai notando a intenção de uma ala culpar a outra. A do BES era claramente mais isenta e isso é sempre mau", considerou.

Sobre o Banif, Rui Rio considerou importante perceber a veracidade das contas do banco apresentadas porque em "termos contabilísticos" o banco tinha um "valor de referência de 675 milhões o que não tem nada a ver com menos três mil milhões, que foi o que acabou por custar".

É absolutamente nuclear perceber, eu não consegui perceber, se estas contas correspondem à realidade ou se não correspondem à realidade. Se não correspondem, se o Banif, empresa cotada, punha contas completamente fraudulentas, bom, então temos que pedir responsabilidades a quem certificou as contas, a quem auditou as contas, e ao Banco de Portugal que tinha no Banif um escritório instalado", disse.

Alias, o ex-autarca aponta principais responsabilidades à instituição liderada por Carlos Costa.

"Tinha [o Banco de Portugal] uma equipa lá [no Banif], em pleno, sentada, que via operação a operação e acompanhava o mais ínfimo custo do próprio banco. Se os 675 milhões nada dizem e as contas estão maquilhadas e o ativo daquele banco, que tinha um valor de 12 mil milhões ou coisa assim, verdadeiramente era só 4 mil milhões porque [as contas] estavam empoladas, temos que pedir sérias responsabilidades a quem tem a responsabilidade por essas contas e eu ponho a administração do Banif em último lugar. Também ponho, mas ponho em quem tinha a responsabilidade de fiscalizar", considerou.

Rui Rio apontou ainda baterias à União Europeia ao considerar "absolutamente inadmissível" que a Europa tenha imposto a Portugal a solução para o Banif.

"O que é absolutamente inadmissível é ter-se chegado ao fim do ano e, ao que se percebe, a União Europeia dizer a Portugal como é que tem quem fazer com o Banif, ou seja, tem que ser entregue àquele banco espanhol em concreto", afirmou.

“A Europa acabou por nos impor uma despesa para o contribuinte português que, se as contas do banco são corretas, é inadmissível", concluiu.