Os deputados do Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal do Porto criticaram hoje o acordo de governo entre o presidente da Câmara Rui Moreira e o PS, considerando que Manuel Pizarro sempre pretendeu «chegar ao poder de qualquer maneira».

«O acordo entre Rui Moreira e Manuel Pizarro mostra que a insistência na união das esquerdas tão proclamada pelo socialista era, confirma-se agora, uma cortina de fumo para esconder a única intenção que lhe subjazia: chegar ao poder de qualquer maneira», referem, em comunicado enviado à Lusa, os dois deputados do BE.

José Castro e Ana Maria Amaral, deputada que na terça-feira não esteve presente na primeira reunião da AM, consideram que, «também nesta matéria, os dirigentes do PS enganaram muitos dos seus votantes».

O BE defende que a situação da cidade, «esvaziada, mais desigual e em declínio económico e social, exigiria um corte com as políticas do PSD e CDS/PP», considerando que o acordo de governo da autarquia alcançado no fim de semana «não vai nesse caminho».

No entanto, «convergir e fazer acordos é saudável e faz parte do processo democrático», salientam, adiantando que, na AM, votarão «cada proposta pelo seu mérito próprio, independentemente de onde venha».

Os deputados eleitos sublinham, contudo, que nunca abdicarão de «construir pontes em nome da resposta aos portuenses e da transformação à esquerda de que a cidade precisa».

Responder à crise social, resgatar a democracia, devolver o Porto às pessoas e reabilitar a cidade são prioridades para os eleitos do BE, que prometem «fazer a diferença nos próximos quatros anos» com as suas propostas e voz critica.

«Não faltaremos a nenhuma solução verdadeira para a cidade. Não nos remeteremos ao silêncio em nenhuma ocasião. E não faltaremos às lutas e às resistências que, no Porto, se travarão pelos equipamentos públicos, pela habitação, pela resposta contra a austeridade, pela democracia e pela participação dos cidadãos», concluem.

Na AM do Porto, a candidatura independente de Rui Moreira elegeu 15 deputados, o PS ficou com 10, a coligação liderada pelo PSD elegeu oito elementos, a CDU quatro e o BE dois.

Presidida por Daniel Bessa, número um da lista independente, a AM tem 49 eleitos, se forem contabilizados os presidentes das sete juntas de freguesia (a candidatura de Rui Moreira conquistou cinco das sete juntas, sendo Campanhã socialista e Paranhos da coligação PSD/PMT/PPM).