O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, afirmou no parlamento que Lisboa e Luanda «continuarão a trabalhar» na cooperação bilateral, e anunciou que se reunirá em breve em Angola com o seu homólogo angolano.

O governante, que foi hoje ouvido pelos deputados da comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades, afirmou que as equipas dos ministérios - português e angolano - «continuarão a trabalhar, como têm feito até à data, nos vários dossiês no âmbito da cooperação bilateral».

Rui Machete descreveu que, no final de janeiro, se encontrou com o ministro das Relações Exteriores angolano, Georges Chikoti, à margem da cimeira da União Africana, em Adis Abeba, numa «reunião longa e muito profícua».

«Foram abordados vários temas de interesse bilateral, mas também assuntos de cariz multilateral, como a situação na Guiné-Bissau ou a segurança marítima no golfo da Guiné», referiu, acrescentando que, a convite de Chikoti, se reunirá «em breve» em Angola «para o seguimento das matérias abordadas e para a tomada de decisões».

«Continuaremos a trabalhar em conjunto para manter e desenvolver as relações bilaterais no benefício dos nossos povos, tendo sempre por base o respeito mútuo que existe entre os dois países no quadro das suas leis e instituições», garantiu Machete, na intervenção inicial da audição no parlamento, que durou pouco mais de duas horas.

Lisboa e Luanda tinham acordado a realização da primeira cimeira bilateral, que deveria decorrer este mês, em Angola, mas em outubro do ano passado o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, anunciou o fim da cooperação estratégica com Portugal.

Alguns dias antes, em entrevista à Rádio Nacional de Angola, Rui Machete tinha pedido desculpa a Luanda pelas investigações do Ministério Público português, declarações que provocaram polémica em Lisboa.

Na sua intervenção perante os deputados, o governante destacou ainda a importância da relação com Moçambique e elogiou os avanços políticos.

«Registamos com satisfação a retoma do diálogo político e das negociações entre o Governo moçambicano e a Renamo, num clima que esperamos de conciliação e abertura, dando continuidade ao diálogo construtivo que se mantinha nos últimos anos. Saudamos o anúncio da Renamo da intenção de participar nas próximas eleições gerais agendadas para 15 de outubro, dando um importante sinal de integração e responsabilidade democrática», referiu.

Machete reiterou a disponibilidade do Governo português para apoiar as autoridades moçambicanas na resposta aos raptos que têm acontecido com frequência naquele país e que já atingiram cidadãos portugueses.

Machete voltou a manifestar preocupação com a segurança no golfo da Guiné, problema que afeta quatro membros da Comunidade de Países da Língua Portuguesa (CPLP) - Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe -, além de ser «uma zona prioritária do ponto de vista nacional, pelas ligações com os países da região e do ponto de vista comercial e energético».

«Ao nível da União Europeia, temos participado de forma muito ativa nos debates sobre elaboração de uma estratégia para a região, que será aprovada, em princípio, no Conselho de Negócios Estrangeiros de março», disse.

Rui Machete revelou ainda que irá coordenar, com os restantes membros do Governo, «um conjunto de propostas que visam proteger» os interesses nacionais e «enfatizar a posição de Portugal como ator internacional de referência no Atlântico Sul e em África».