O ministro dos Negócios Estrangeiros disse este sábado que a visita de congressistas dos Estados Unidos às Lajes é "uma oportunidade" e um "bom sinal" e que há um "novo clima" nas negociações com os norte-americanos.

"É uma oportunidade. Não quero gerar expetativas desmesuradas, porque não se justificam, nós vamos apenas conversar. Mas é um bom sinal", disse Rui Machete aos jornalistas, em Angra do Heroísmo, onde está hoje uma delegação de congressistas dos Estados Unidos para conhecer a base das Lajes e a ilha Terceira.

Machete revelou que esta visita de legisladores norte-americanos resultou de contactos recentes que fez em Washington com congressistas como o presidente da comissão de Defesa do congresso, que se mostrou "muito conhecedor" da questão das Lajes e disse que iria levantá-la, inclusivamente, junto do comandante das forças armadas dos EUA na Europa, "o que fez".

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros considerou que depois de ter sido possível ganhar cerca de dois anos e meio neste processo (desde a primeira vez que os EUA manifestaram intenção de reduzir a presença nas Lajes), "as coisas agora começam a aproximar-se necessariamente do fim" e é preciso "chegar a resultados".

"Por outro lado, as conversações não começaram da melhor maneira", acrescentou, lembrando que o Governo português manifestou recentemente o seu "desagrado" junto dos EUA por os norte-americanos terem iniciado procedimentos associados à redução de trabalhadores portugueses nas Lajes, contrariando o acordado entre os dois países.

"Julgo que esse clima começou a mudar significativamente. Em grande parte, pelos esforços que nós fizemos, mas também, em grande parte, porque houve americanos que compreenderam que 70 anos de participação na atividade diária das Lajes, vivendo aqui com a população, não podem ignorar-se. Isso não resolve tudo, mas é muito importante que haja confiança mútua", afirmou.

Machete afirmou que a nova reunião da comissão bilateral Portugal/EUA, marcada para junho, em Washington, "já se insere num novo clima e numa tentativa de acelerar todo o processo", sendo por isso "natural que haja já resultados".

"Todavia, teremos de ver se são resultados que se consideram adquiridos ou se são suscetíveis ainda de revisão", afirmou.

O ministro sublinhou que Portugal não tem uma "posição de intransigência absoluta" e que é preciso "defender os interesses portugueses em termos razoáveis".

"Continuamos a pensar que os Estados Unidos têm uma presença aqui. Desejamos que essa presença seja aquela que é a maior possível e que for razoável. E temos de pensar, que é também algo muito importante, em procurar soluções alternativas para aquilo que vão ser os inevitáveis resultados de alguma redução", afirmou.

Rui Machete adiantou que o Governo português encararia também com "satisfação (…) alguma utilização alternativa" das instalações das Lajes "e outras possibilidades" para a Terceira, os Açores e Portugal "na sua globalidade, afirmou ainda, acrescentando ter "esperança" que isso venha a acontecer.

Segundo afirmou, esta visita dos congressistas às Lajes permite, justamente, "conversar e discutir sobre alternativas militares ou civis" que possam ajudar a diminuir os efeitos da decisão anunciada pelos EUA.

Por sua vez, o congressista norte-americano Devin Nunes disse que é fundamental e possível encontrar uma "solução de longo prazo" para a base das Lajes e convencer o governo dos Estados Unidos a rever a decisão anunciada em janeiro.

Devin Nunes, presidente do Comité de Serviços de informação da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, chefia a delegação de congressistas norte-americanos.

O congressista afirmou que há legislação nova a ser trabalhada no Congresso norte-americano em relação às Lajes, com vista a encontrar uma nova utilização para a base da ilha Terceira depois de a Administração dos EUA ter confirmado em janeiro a intenção de reduzir a sua presenta nos Açores e dispensar perto de 500 trabalhadores portugueses.

"É absolutamente importante que encontremos uma solução de longo prazo [para as Lajes], no interesse dos contribuintes americanos e dos interesses estratégicos de longo prazo dos Estados Unidos da América", afirmou o congressista, que é descendente de emigrantes açorianos.