O ministro dos Negócios Estrangeiros revelou informações classificadas sobre cidadãos portugueses que estão a lutar pelo Estado Islâmico, que terão deixado preocupados elementos do Governo e da segurança nacional. Os serviços de informações e as forças de segurança temem que as revelações feitas por Rui Machete, e que não terão sido antecipadamente comunicadas aos responsáveis do Governo competentes e que deveriam ser sigilosas, possam pôr em causa a segurança do país.

A informação é avançada pelo «Diário de Notícias», que dá voz ao ex-secretário-geral do Sistema de Segurança Interna, o socialista Marcos Perestrello. O vice-presidente da bancada parlamentar do PS considera que as declarações de Machete «são irresponsáveis» e causadoras de uma «situação de enorme gravidade». Marcos Perestrello defende que, nestes casos, «deve falar-se o menos possível e qualquer pormenor que se dê é um discurso errado».

Em entrevista à Rádio Renascença, o ministro Rui Machete admitiu que a hipótese de regresso de portugueses que estão atualmente nas fileiras do Estado Islâmico será um problema.

«No caso português já há dois ou três, sobretudo raparigas, que se deixaram encantar pelo entusiasmo dos noivos ou por um espírito de aventura, que agora estão a querer voltar. [No total] Há 12 ou 15 [portugueses no Estado Islâmico], não sabemos exatamente bem, mas é um número muito reduzido», disse Rui Machete, numa entrevista à rádio em Nova Iorque.

Questionado se essas jovens precisam de autorização para reentrar em Portugal, o ministro respondeu: «Tal como não tiveram autorização para sair, também não pedem autorização para voltar». E admitiu que isso é um «problema»: «Esse é um dos problemas que temos e é um problema que não podemos ignorar, porque não podemos deixar que as pessoas voltem sem fiscalização. Neste momento, em Portugal, esse problema não se põe com nenhuma acuidade, porque o número é ainda muito restrito»

Em relação à participação no combate ao Estado Islâmico, Rui Machete reafirmou a solidariedade portuguesa, nomeadamente ao nível político e humanitário, mas garantiu que o Governo não tenciona apoiar militarmente a coligação internacional contra os extremistas que controlam partes da Síria e do Iraque. «Do ponto de vista militar, nós temos mantido a posição de que não estamos em condições de dar um apoio militar numa área tão longínqua», afirmou.