O porta-voz do PSD, Marco António Costa, destacou esta quinta-feira «a importância de se manterem sempre abertos os canais de diálogo institucionais», recusando-se a comentar o corte de relações dos reitores das universidades com o Governo.

Marco António Costa, que esta manhã se reuniu com o reitor da Universidade do Porto, Marques dos Santos, afirmou que o encontro teve apenas como objetivo «discutir a Reforma do Estado».

O Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) anunciou esta terça-feira o corte de relações com o Governo na sequência das negociações sobre as dotações do Orçamento do Estado do próximo ano e a restruturação da rede de Ensino Superior.

«Não vou fazer nenhum comentário em concreto sobre o tema, a não ser sublinhar a importância de que se mantenha sempre em aberto todos os canais de diálogo institucionais», disse Marco António quando questionado pelos jornalistas sobre o assunto.

O coordenador permanente da Comissão Política Nacional negou ainda estar ali para mediar as relações entre as partes.

«Viemos aqui para tentar recolher sentimentos, as preocupações e, sob o ponto de vista objetivo, as opiniões que [o reitor da Universidade do Porto] tem», salientou, acrescentando que a recolha de opiniões é importante, para que depois o PSD possa «colaborar enquanto partido político nesse trabalho que foi feito pelo Governo».

O Guião da Reforma do Estado «é um importantíssimo instrumento que permite, pela primeira vez, uma reflexão organizada e sistémica em volta daquele que é o Estado que pretendemos ter e com que funções e organização», vincou Marco António.

A reunião com Marques dos Santos, garantiu, fez parte de «um conjunto de contactos institucionais» que o PSD está a fazer «a propósito do Guião da Reforma do Estado».

PS diz que há um risco grave de recuo das universidades

O PS acusou hoje o Governo de ter violado compromissos estabelecidos com as universidades e considerou existir um «risco grave» de recuo em termos de formação e capacidade de internacionalização das instituições de Ensino Superior.

Alberto Martins, líder da bancada socialista, falava aos jornalistas no final de uma reunião entre a direção do Grupo Parlamentar do PS e o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP).

Depois de o presidente do CRUP, António Rendas, se ter recusado a prestar declarações aos jornalistas, o líder parlamentar do PS apresentou um quadro preocupante sobre a atual situação da generalidade das universidades portuguesas.

«As universidades estão numa situação extrema, de limiar de condições dignas em termos de funcionamento. Têm um reconhecimento internacional muito significativo, mas as condições criadas quanto à sua autonomia, em termos de contratação pública, contratação de docentes e de meios para o ensino e investigação são extremamente gravosas», apontou Alberto Martins, cuja bancada tem uma proposta de alteração ao Orçamento do Estado para 2014 para eliminar os cortes propostos pelo Governo em relação às universidades e politécnicos.

O presidente do Grupo Parlamentar afirmou depois estranhar a atuação do Governo em matéria de Ensino Superior, «porque as universidades são o centro fundamental para o desenvolvimento da economia e para novos projetos de afirmação e internacionalização de Portugal».

De acordo com Alberto Martins, o CRUP comunicou ao PS «a existência de riscos graves de as universidades portuguesas terem grandes recuos em termos de ensino, formação, investigação e capacidade para manter os níveis alcançados nos rankings internacionais».

«Os cortes que estão a ser feitos violam os compromissos e contratos programas estabelecidos com as universidades portuguesas. O CRUP considera que as condições de vida digna e eficaz são muito preocupantes. O PS está apreensivo, porque está em causa a formação dos portugueses e a abertura da universidade a setores mais amplos da sociedade portuguesa», sustentou Alberto Martins.