O presidente do Governo Regional da Madeira, mostrou-se "chocado", esta terça-feira, com "comentários xenófobos" divulgados por madeirenses na internet sobre o acolhimento de refugiados. 

"Não é admissível, minhas senhoras e meus senhores, que uma região como a Madeira, com uma tradição de decénios e decénios de emigração, tenha qualquer hesitação relativamente àquela que é uma obrigação de humanidade essencial"


O presidente do governo regional da Madeira classificou ainda esses comentários de "maldosos, egoístas e imbecis", lembrando que os pais, os avós e os bisavós de muitos madeirenses emigraram para ter melhores condições de vida nos outros países.

"É uma obrigação de humanidade essencial acolher outros seres humanos que, neste momento, vivem situações terríveis de guerra, de degradação das suas condições de vida, de fome, de desespero", vincou o governante, segundo a Lusa, considerando que, sendo a população da União Europeia de 500 milhões de habitantes, não haverá qualquer problema em receber um milhão de pessoas.

"Nós temos de praticar a solidariedade". O presidente do Governo disse que aguardará a decisão ao nível da União Europeia e do país sobre a situação dos refugiados, reforçando que a Madeira continua disposta a receber, "de braços abertos", outros seres humanos que, neste momento, "têm a necessidade imperativa de ser acolhidos na nossa civilização".

Miguel Albuquerque salientou que não está em causa o desemprego na região autónoma nem a repartição dos subsídios de apoio social.

"A questão que aqui está é uma questão de valores. Se perdermos, enquanto pessoas, os valores que nos distinguem dos restantes animais, os valores da humanidade, tudo está perdido". Os madeirenses não têm qualquer desculpa se não acolherem os refugiados de forma "civilizada e solidária".

Miguel Albuquerque falava no decurso de uma longa cerimónia, na freguesia da Madalena do Mar, que assinalou o 514.º aniversário do concelho da Ponta do Sol, na zona oeste da ilha.