O coordenador político do PSD desvalorizou esta quinta-feira o apoio dado por 74 figuras internacionais ao chamado Manifesto dos 70, que defende a reestruturação da dívida portuguesa, considerando tratar-se apenas «uma espiral de vozes críticas».

«O PSD acredita que estas vozes são as mesmas que no passado diziam que havia uma espiral recessiva e que o caminho que estávamos a fazer não ia levar a lugar algum», disse em declarações à Lusa, o porta-voz e coordenador dos sociais-democratas, Marco António Costa.

Para o responsável, já há ano e meio que parte das vozes que se levantaram na sociedade portuguesa diziam que o país «nunca atingiria crescimento económico», que o desemprego seria «galopante, sem ponto de inversão» e que o emprego continuaria a «ser destruído», em vez de haver criação de emprego.

No entanto, sublinhou, o partido «nunca se deixou impressionar» por este tipo de opiniões e continua a «apoiar incondicionalmente» o caminho que o Governo tem feito até ao momento no que diz respeito ao pagamento da dívida pública portuguesa, garantindo que o cenário macroeconómico começa a mudar.

«Temos todas as razoes para acreditar neste caminho e não nos deixamos impressionar. Aquilo que é importante no momento em que Portugal vai entrar num novo ciclo em 2014 é que sejamos todos claros perante os portugueses, que não haja irrealismo, populismo ou a tentativa de criar falsas expetativas aos portugueses», acrescentou.

O responsável recordou que os números do desemprego têm vindo a «descer sustentadamente» e que a economia portuguesa tem vindo a «crescer já vai para três trimestres», avançando que acredita que nas projeções de que 2014 será um ano de «crescimento consolidado».

«Aquilo em que estamos focalizados é em cumprir as nossas obrigações e recuperar a situação económica e social do país. Estamos no caminho certo e a prova é todos os dias dada pela realidade», frisou o responsável social-democrata.

De acordo com Marco António Costa, os portugueses têm «mais razões para estarem mais confiantes e acreditarem que o país, apesar de todas as dificuldades vividas nos últimos anos, abrirá um novo ciclo em 2014, com realismo, mas também com esperança».

O Manifesto dos 70, que apela à reestruturação da dívida pública recebeu o apoio de mais de 70 personalidades estrangeiras, na maioria economistas de renome internacional.

De acordo com a edição de hoje do jornal Público, o manifesto subscrito por 74 personalidades «transpôs a fronteira e já recebeu o apoio de economistas de 20 nacionalidades, dos EUA à Alemanha».

Tratam-se de economistas, muitos com cargos de relevo em instituições internacionais como o FMI, editores de revistas científicas de economia e autores de livros e ensaios de referência na área, entre os quais Marc Blyth, da Universidade Brown, nos Estados Unidos, autor daquele que foi considerado pelo Financial Times como o melhor livro de 2013, o «Austeridade», revela o jornal.

O denominado Manifesto dos 70, tornado público há cerca de uma semana, é assinado por figuras da política de esquerda e de direita, como os ex-ministros das Finanças Manuela Ferreira Leite e Bagão Félix, por Francisco Louçã, António Saraiva, Carvalho da Silva, Gomes Canotilho, Sampaio da Nóvoa, além de empresários e economistas.