O líder do Partido Socialista espanhol (PSOE) está de visita a Lisboa, onde quis deixar uma mensagem de confiança, ao lado de António Costa: «António, são muitas as coisas que nos unem e, a partir do próximo ano, serão ainda mais: vamos ter governos socialistas em 2015 tanto em Portugal como em Espanha», disse Pedro Sánchez ao líder do Partido Socialista português.

Sánchez, que falava na conferência da Aliança Progressista, evocou o antigo primeiro-ministro socialista espanhol Felipe González, que disse que «o principal objetivo do socialismo é combater o medo», para sublinhar que, hoje, «há milhões de europeus, sobretudo no sul da Europa, que olham o amanhã com medo», cita a Lusa.

«O medo do futuro é o melhor aliado de uma direita que só oferece desigualdades e resignação», disse, criticando a «política económica cruel que, ano após ano, leva a União Europeia ao fracasso» e o «fundamentalismo económico que traz sacrifício, desigualdade e injustiça».

«O crescimento é o nosso grande desafio. Fazer frente a uma desigualdade que é socialmente injusta e economicamente ineficiente com uma economia de igualdade»


Antes, tinha sublinhado que  «1% população mais rica do mundo acumula 50% do rendimento» e que, «na Europa, os 20% mais ricos ganham cinco vezes mais que os 20% mais pobres».

Apontando o conhecimento como elemento definidor do progresso, Pedro Sánchez afirmou que «cada euro investido na educação tem um retorno de dois euros. Prometeu que, quando for governo, ao contrário da direita espanhola, que reduziu o investimento na educação a menos de 4% do PIB, o PSOE vai elevar esse investimento a 7% do PIB, acima da média europeia.

O líder socialista espanhol criticou também a discriminação das mulheres, nomeadamente no mercado laboral, onde enfrentam «maior precaridade e salários mais baixos». Lembrou que o PSOE propõe uma lei de igualdade salarial e a reindustrialização do continente europeu, porque «é na indústria que os empregos são mais estáveis, mais qualificados e de melhor qualidade» e porque a industrialização reforça as empresas, o seu financiamento e a investigação.

Sánchez apontou, por outro lado, «o fim dos paraísos fiscais» como uma medida «que tem de ser tomada já», porque «não se pode mundializar a economia e as finanças sem mundializar as regras».

A Aliança Progressista - movimento que congrega forças sindicais, sociais e políticas da área do centro esquerda, desde partidos democratas, sociais-democratas e socialistas – está reunida hoje em Lisboa numa conferência intitulada «Trabalho Decente e Educação: Investir na Igualdade de Oportunidade para todos».