O PSD deixou cair a proposta aprovada, esta quinta-feira, com os votos favoráveis do PSD e do PS que pretendia  o fim das subvenções vitalícias a ex-políticos.

O anúncio foi feito pelo deputado social-democrata Couto dos Santos na manhã desta sexta-feira, no Parlamento, no reinício dos trabalhos em plenário de discussão do Orçamento do Estado para 2015.
 

«Em nome do bom senso os proponentes da proposta 524-C pedem para que seja retirada», referiu.


A proposta em causa, entregue pelos deputados Couto dos Santos (PSD) e José Lello (PS), tornou-se, nas últimas horas, no assunto do momento, unindo políticos e comentadores num clima de forte contestação e indignação pelo facto de este ter sido o único ponto em que PSD e PS chegaram a um consenso.

A iniciativa caiu mal até dentro do próprio PSD, com várias figuras ligadas ao partido a opôrem-se à medida, como foi o caso do social-democrata Paulo Rangel, que criticou a alteração, esta quinta-feira, no programa «Prova dos 9» da TVI24, classificando-a como «um mau exemplo».
 
 

«Acho um mau exemplo, um mau sinal e é inoportuno nesta altura. Na altura em que nós estamos o PSD não devia ter protagonizado esta iniciativa. Compreendo o que está por detrás disto, mas sinceramente acho que ficava bem ao PSD nesta altura, por causa dos sacrifícios que ainda estão a ser exigidos aos portugueses e porque esta é uma matéria extremamente controversa, sensível e simbólica, não fazer esta alteração.


Também Carlos Carreiras, Presidente da Câmara Municipal de Cascais e vice-presidente do PSD, partilhou no Facebook a sua discordância «total e radical» com a proposta de alteração.

 
 


Logo após a votação, que teve os votos contra do PCP e do BE (CDS absteve-se), os bloquistas defenderam que esta aprovação era o renascimento do «Bloco Central no pântano da política»

Já na noite desta quinta-feira, na TVI24, a deputada do BE Mariana Mortágua acusou o PS de António Costa de compactuar com o PS na reposição de regalias de políticos.
 
 

«O pacto do PS do António Costa com o PSD é para repor regalias de políticos. Os deputados descontam para a segurança social como outro qualquer trabalhador. Este é um complemento para o qual nunca o descontaram e por isso é uma regalia», referiu.


Mas se alguns militantes do PSD se manifestaram contra, do lado dos socialistas as vozes parecem ter um discurso maioritariamente a favor da alteração. A deputada do PS Isabel Moreira afirmou, na TVI24, que se tratava de uma iniciativa «justa».
 
 

«É justo tendo em conta a especial responsabilidade dos políticos, o esforço que sobre eles recai é maior; Um estado de direito democrático não é uma regalia e há muita gente que dedicou a sua vida à política, que largou tudo o que tinha e que fizeram democracia», afirmou

 

Até ao momento, do lado do PS apenas a Juventude Socialista do Porto, manifestou o seu «repúdio» pela proposta em comunicado. 

 


Já para a comentadora da TVI24 Constança Cunha e Sá a reposição das subvenções vitalícias a antigos políticos  «não faz sentido absolutamente nenhum». Esta quinta-feira,  a comentadora ironizou que as palavras do Presidente da República sobre a necessidade de um compromisso político «tiveram finalmente eco». 

«Neste quadro de recessão, em que como diria o [Luís] Montenegro, o país já está a sair da crise segundo o Governo, mas os portugueses ainda não estão a sentir isso no bolso, é neste quadro que o PSD e o PS encontram um motivo para se juntar, ou seja, as palavras do Presidente da República sobre o compromisso tiveram finalmente eco».