O grupo político Europa da Liberdade e da Democracia Direta (ELDD), presidido pelo líder do partido eurocético britânico Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), Nigel Farage, deixou de cumprir um dos critérios obrigatórios – de representatividade de países -, tendo sido dissolvido esta quinta-feira no Parlamento Europeu.

O fim do ELDD foi provocado pela saída da eurodeputada da Letónia Iveta Grigule, que se juntou aos conservadores britânicos do ERC.

Farage reagiu já ao facto acusando o presidente do PE, Martin Schulz, de «conspirar» contra ele, induzindo Grigule a sair com a promessa – em conluio com o ERC – da vice-presidência de uma delegação parlamentar.

Os grupos políticos no PE têm que ter, pelo menos, 25 eurodeputados, de sete Estados-membros diferentes.

O eurodeputado Paulo Rangel (PSD) considera que a dissolução do grupo eurocético de direita radical no Parlamento Europeu (PE), de Nigel Farage, pode resultar na constituição de outro pior, em torno da Frente Nacional de Marine Le Pen.

«Pode ser pior a emenda do que o soneto», disse à Lusa Paulo Rangel, adiantando que um grupo político liderado por Le Pen será ainda mais radical do que o agora dissolvido.

«A extinção deste grupo pode levar a um ainda mais radical, com um discurso explosivo e até contra o Estado de Direito», para além de eurocético.

Para Rangel, «a dissolução de um parece ser a antecâmara da formação do outro». 

A dissolução do grupo político já obrigou o Presidente do parlamento Europeu, Martin Schulz, a adiar a entrega do prémio Sakharov, marcado para hoje, para a próxima terça-feira.