O PSD defendeu hoje que a fixação do défice em 4,9% é «uma vitória dos portugueses» que no futuro os recompensará pelos sacrifícios, embora recuse «embandeirar em arco» porque a consolidação orçamental «deve continuar».

«Não pode haver duas leituras deste resultado, é um resultado positivo, representa uma vitória dos portugueses que fizeram esforços e sacrifícios muito grandes e que veem agora uma recompensa por esses esforços e sacrifícios aparecer, uma recompensa que reverterá no futuro em seu favor», disse o vice-presidente da bancada do PSD Miguel Frasquilho.

Em declarações aos jornalistas no parlamento Miguel Frasquilho quis sublinhar que «é a primeira vez desde 2007 que, excluindo efeitos temporários e permanentes, o défice das contas públicas é melhor do que aquilo que tinha sido estimado».

O défice orçamental fixou-se nos 4,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2013, anunciou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE), na primeira notificação do ano enviada a Bruxelas ao abrigo do Procedimento dos Défices Excessivos.

«Isto é muito importante para que Portugal possa continuar a recuperar a sua credibilidade internacional e para que os juros da dívida pública possam continuar a descer para que o país possa refinanciar a sua divida publica em mercado», afirmou Frasquilho.

«Apesar deste resultado positivo não embandeiramos em arco, nem é tempo para euforias, uma vez que a consolidação orçamental deve continuar, a meta do défice de 4% para 2014 continua a ser extremamente exigente e continuamos a ter que cumprir as metas e os objetivos do tratado orçamental, com o qual Portugal está comprometido», declarou.

Contudo, o deputado considerou que «este resultado não pode deixar de ser visto como mais uma esperança» para que «os portugueses possam ter um futuro melhor».

Défice e dívida estão piores que em 2011

Confrontado com o aumento da dívida pública, Miguel Frasquilho respondeu: «Tem a ver com as diferentes contabilizações que são feitas ao nível estatístico e recordo que o que está previsto é que a dívida pública assuma um valor máximo em 2013 e possa começar a descer a partir daí».

A dívida pública ascendeu aos 213.630,7 milhões de euros em 2013, mais 8.771 milhões de euros do que em 2012, o primeiro ano em que o valor da dívida pública portuguesa ultrapassou os 200 milhões de euros.

Em termos de rácio, a dívida pública terá aumentado 4,9 pontos percentuais do PIB em 2013 face ao registado no ano anterior (ambos os valores são provisórios), depois de um aumento de 15,9 pontos percentuais em 2012 por comparação a 2011.

Défice de 2013 mostra que «esforços dos portugueses têm sentido útil»

O líder parlamentar do CDS-PP Nuno Magalhães considerou hoje que os números do défice, que se fixou nos 4,9% em 2013, reforçam a credibilidade externa do país e demonstram que os esforços dos portugueses «têm sentido útil».

Em declarações à agência Lusa, o deputado e líder da bancada centrista Nuno Magalhães afirmou que estes números vêm «reforçar a credibilidade externa de Portugal», mas também «demonstrar que Portugal cumpriu e que os esforços a que os portugueses têm sido sujeitos - e são muitos e muito difíceis - têm sentido útil».

«Estamos cada vez mais perto do fim do programa de assistência e, nesse sentido, de recuperar a nossa autonomia e, sem esse esforço dos portugueses, não teria sido possível», afirmou o deputado, que destacou também a importância de a comunidade internacional «voltar a ver Portugal como um país confiável e fiável».