Especialistas em sondagens contactados pela Lusa defendem que uma coligação pré-eleitoral que concorra a eleições legislativas pode ter menos votos, mas consegue eleger mais deputados, em comparação com um partido que se candidate sozinho.

“Um partido com 40% dos votos tem, em princípio, mais deputados do que a soma dos deputados de dois partidos, um com 30% outro com 10% dos votos”, referiu o cientista político Pedro Magalhães.

Também o especialista em sondagens Rui Oliveira e Costa partilha desta opinião, tendo declarado à Lusa que “qualquer coligação pré-eleitoral entre dois ou mais partidos, em qualquer parte do mundo, tem uma percentagem menor do que se fossem separados”, acrescentando que “aquilo que se perde em votos acaba por recuperar em mandatos”.

Segundo o politólogo, isto acontece porque “há menos desperdício de votos”, ou seja os votos de um partido somam-se aos do outro e a coligação consegue eleger um ou mais deputados nos círculos onde, à partida, os partidos não elegeriam nenhum se fossem a votos separadamente.

Na opinião de Pedro Magalhães “isto sucede porque nenhum sistema eleitoral pode ser completamente proporcional”, sendo que essa desproporcionalidade “pune os partidos mais pequenos e favorece os maiores”.

O especialista ressalva, contudo, que “saber se os eleitores que votariam separadamente em dois partidos votariam na mesma numa coligação desses dois partidos” é uma questão diferente e comportamental, não estando relacionada com o sistema eleitoral.

Em relação à obtenção de uma maioria absoluta nas legislativas, Rui Oliveira e Costa vincou que, na sua opinião, “não está ao alcance de nenhuma força política”, sendo uma hipótese que “não existe em Portugal há uma década”.

“O nosso sistema é um sistema proporcional com 22 círculos eleitorais e, sendo proporcional, em princípio a hipótese de um partido ou uma coligação pré-eleitoral ter mais deputados que os outros todos - e tendo já ocorrido três vezes em Portugal - leva a supor que não ocorrerá nos próximos 30 anos”, defendeu.

Para o especialista, “a única coligação que podia aspirar a uma maioria em coligação pré-eleitoral era PS e PSD”.

Quanto à percentagem de votos obtidos pelos novos partidos que concorrem às legislativas, Rui Oliveira e Costa defende que “tem uma ligeira tendência para aumentar”, podendo chegar aos 10% nas próximas eleições, juntamente com os votos brancos e os votos nulos.

Já o investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa sublinha que a multiplicação de partidos pode denunciar um “crescimento lento da fragmentação partidária”, algo que o sistema eleitoral português “tem mostrado nos últimos anos”.

Pedro Magalhães ressalva que o resultado “depende da real viabilidade eleitoral desses partidos, que não é conhecida”.