Manuel Alegre, dirigente histórico socialista e membro do Conselho de Estado, manifestou-se esta quarta-feira «incomodado» com o «silêncio» sobre a expulsão de António Capucho do PSD, advertindo que se trata de um assunto interno da democracia.

Em declarações à agência Lusa, Manuel Alegre considerou que a decisão do Conselho de Jurisdição Nacional do PSD de expulsar o militante histórico social-democrata António Capucho, devido à sua candidatura autárquica em lista adversária do PSD em 2013, «é uma situação muito triste».

«É uma situação muito triste e é uma situação que me incomoda muito. António Capucho não é só uma referência do PSD, mas também uma referência da democracia portuguesa», disse, antes de referir que os dois foram «colegas» na Assembleia da República e no Conselho de Estado.

«Conheço a biografia de António Capucho e sei o que o PSD e a democracia lhe devem. Estou incomodado, da mesma forma que me incomodam certos silêncios», declarou, numa alusão a outras figuras históricas dos sociais-democratas.

Interrogado se o caso de António Capucho é um assunto interno do PSD, o histórico socialista rejeitou essa tese. «Isso é um formalismo. Na substância, este é um assunto interno da democracia», contrapôs.

Manuel Alegre, que protagonizou uma candidatura presidencial independente em 2006, com o PS a apoiar Mário Soares, deixou uma crítica ao funcionamento dos partidos em geral.

«Estes processos burocráticos, em que as regras são divinizadas, revelam uma grande intolerância, refletem a crise dos partidos e contribuem para o descrédito dos partidos e da política», acrescentou o membro do Conselho de Estado.