O PSD dos Açores considerou esta terça-feira que os socialistas da região não têm "vergonha na cara" quando responsabilizam o atual Governo nacional pelos cortes nas transferências e a subida de impostos.

"É preciso não ter qualquer vergonha na cara para perguntar a Pedro Passos Coelho o porquê das alterações à Lei das Finanças Regionais quando foi José Sócrates, com o apoio de Carlos César, Sérgio Ávila e Vasco Cordeiro, quem se comprometeu com a 'troika' a assinar um memorando que aumentava os impostos dos açorianos e descia o volume das transferências", considera a direção do PSD/Açores, num comunicado.


Sérgio Ávila e Vasco Cordeiro, atualmente vice-presidente e presidente do Governo dos Açores, respetivamente, integraram também os executivos regionais anteriores, liderados por Carlos César.

O PS/Açores considerou "inaceitável" que o presidente do PSD e primeiro-ministro, Passos Coelho, tenha estado na segunda-feira no arquipélago e tenha tentado “fazer os açorianos de tolos”, deixando sem resposta diversas questões, entre elas, as razões para o corte de 67 milhões de euros de transferências, aquando da alteração da Lei de Finanças das Regiões Autónomas, em 2013, que também provocou um aumento de impostos nos Açores no ano passado.

Para o PSD/Açores, as questões que os socialistas colocam a Passos Coelho podiam ter sido colocadas ao anterior primeiro-ministro, José Sócrates, mas o PS açoriano "nunca teve coragem" de o fazer.

Os sociais-democratas lamentam, assim, "que os dirigentes socialistas que agora se queixam de uma alegada falta de solidariedade" de Passos Coelho aquando das intempéries de 2013 "tenham calado e concordado com o tratamento dado por José Sócrates aos temporais de 2009".

Quanto à dívida na área da Saúde invocada pelo PS, respondem que foi criada, "na sua grande maioria, durante os governos de José Sócrates".

O PSD faz também referência à entrada das 'low cost' nos Açores, este ano, depois de os socialistas terem considerado que as declarações de Passos Coelho na segunda-feira confirmam que o presidente do PSD/Açores, Duarte Freitas, não teve nada a ver com esse processo.

"Desde 2006, ano de entrada das 'low cost' em Portugal, o nosso país foi governando durante cinco anos por José Sócrates com o apoio de Carlos César, Sérgio Ávila e Vasco Cordeiro e a verdade é que essas empresas nunca chegaram aos Açores. (...) Se os governantes socialistas quisessem empresas 'low cost' nos Açores, elas poderiam ter chegado em 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 ou 2011, mas isso só não aconteceu porque o PS tudo fez para proteger o monopólio da SATA em prejuízo dos açorianos", consideram os social-democratas.

Já o PSD/Açores, lê-se ainda no mesmo comunicado, "sempre defendeu a abertura do espaço aéreo sendo que essa abertura só foi possível com o trabalho e a determinação de Pedro Passos Coelho e de Duarte Freitas, por muito que isso custe aos dirigentes socialistas".