O PS afirmou hoje que não viu na troika «nenhum sinal de abertura» para abrandar a austeridade, considerando que a meta do défice não será flexibilizada porque «o próprio Governo não se entende» nesta matéria.

Os elementos da troika, composta pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Central Europeu (BCE) e pela Comissão Europeia, reuniram-se hoje com alguns deputados da comissão eventual de Acompanhamento das Medidas do Programa de Assistência Financeira, no parlamento, no âmbito da oitava e nona revisões regulares.

«Quando o próprio Governo não se entende quanto ao pedido de alívio da austeridade, é claro que a troika não vai flexibilizar coisa nenhuma», disse o deputado socialista Pedro Marques, quando questionado pelos jornalistas sobre se há, da parte da troika, margem para dilatar a meta do défice em 2014 para os 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB), em vez dos atuais 4%, acordados na sétima avaliação regular ao programa.

Sublinhando «a insensibilidade e o silêncio» dos elementos da troika, Pedro Marques destacou que a dívida pública registou, no primeiro semestre deste ano, «o maior aumento de sempre por causa da recessão».

Quanto à eventual diminuição do IVA (Imposto de Valor Acrescentado) na restauração e ao eventual aumento do salário mínimo nacional, o deputado socialista referiu que a troika deu apenas «uma resposta repetida».

«Nunca encontrámos respostas para as consequências desta austeridade. A resposta tem sido sempre o silêncio e sempre a questão "quem é que financia isso?" Não encontrei nenhum sinal de abertura», disse ainda Pedro Marques.

PSD diz que troika foi «evasiva»

Já o PSD disse que os representantes da troika foram evasivos nas respostas aos deputados mas sem fechar «nenhuma porta fechada», esperando por parte da missão externa a «abertura» que o FMI mostrou no estudo divulgado na terça-feira.

Os sociais-democratas defenderam junto da troika a necessidade de flexibilizar a meta do défice de 4 para 4,5% e a existência de um «alívio fiscal», ainda que «simbólico», para empresas e famílias em 2014, disse o deputado do PSD Miguel Frasquilho.

«A missão internacional ouviu, foi bastante evasiva, e eu também não esperaria outra coisa nesta fase, porque estas oitava e nonas avaliações em conjunto iniciaram-se há três dias. No entanto, não vi nenhuma porta fechada», afirmou Frasquilho.

Miguel Frasquilho falava aos jornalistas à saída da reunião da comissão parlamentar que acompanha o programa de ajustamento com os representantes da troika (Banco Central Europeu, União Europeia e Fundo Monetário Internacional).

Questionado sobre uma eventual falta de consenso no seio do Governo sobre a necessidade de flexibilizar de 4 para 4,5% a meta do défice, o deputado respondeu que há um consenso generalizado na sociedade portuguesa e começa a haver uma grande abertura por parte da troika «nesse sentido».

«Veja-se o "paper" [estudo] do FMI, de que adaptar a velocidade do ajustamento às condições da economia e tornar o ajustamento credível e realista é importante para todos», disse.

«Nesta reunião de hoje não notei nenhuma inflexibilidade por parte do FMI. Espero que por parte da troika haja a abertura que este "paper" veio demonstrar", declarou.

Miguel Frasquilho disse ter visto por parte da troika uma «preocupação com a situação que a Europa esta a atravessar, se bem que os sinais sejam mais encorajadores» e «uma grande determinação»