José Sócrates, ignorou este sábado, a polémica entre Manuel Alegre e José Lello, apresentando em alternativa o seu partido como um referencial de estabilidade e de unidade na vida política portuguesa, informa a Agência Lusa.

Sócrates mostra-se confiante na vitória do PS nas próximas eleições

No seu discurso, perante a Comissão Nacional do PS, José Sócrates também passou à margem das declarações proferidas pelo ex-candidato presidencial Manuel Alegre, em entrevista ao Expresso, onde admitiu que gostaria de candidatar-se como independente a deputado, bem como da resposta do dirigente socialista José Lello, que acusou Alegre de «falta de carácter» e falta de solidariedade em relação ao seu partido.

Em contraponto, de acordo com dirigentes socialistas, Sócrates centrou o seu discurso na ideia de que o PS está em plenas condições para vencer as próximas eleições legislativas, assumindo-se como «referencial de estabilidade» na vida política nacional.

Ainda segundo os mesmos dirigentes socialistas, o líder do PS procurou desmontar a tese, que atribuiu ao «nervosismo» das forças da oposição, de que o último congresso de Espinho tenha sido marcado pelo unanimismo e pela ausência de debate.

No final das reuniões da Comissão Nacional e Política, o porta-voz do PS, Vitalino Canas, também contrariou essa tese do unanimismo, contrapondo que para a Comissão Nacional do partido concorreram duas listas alternativas (de José Sócrates e de Fonseca Ferreira) e que, entre essas duas correntes, houve agora entendimento na apresentação de uma única lista para a Comissão Política.

Nos 61 efectivos da Comissão Política do PS, a linha do presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, Fonseca Ferreira, terá sete elementos.

PS mais forte e mais unido

«O PS termina este ciclo interno de reflexão, programação e debate mais forte do que iniciou. Sabemos que nestes quatro últimos anos, com o PS no Governo, nunca existiram facilidades, continuamos a não ter vida fácil, mas isso preparou-nos para a luta contra a crise internacional e para continuarmos a fazer valer as nossas propostas», declarou o porta-voz socialista.

Na perspectiva de Vitalino Canas, o PS sai mesmo deste ciclo de eleições internas «mais forte, mais unido, com capacidade para liderar as mudanças e as reformas em Portugal, assumindo-se como um referencial de estabilidade».

Interrogado sobre a polémica entre Manuel Alegre e José Lello, o porta-voz do PS recusou-se «a comentar o debate interno do partido».

«O PS está unido e hoje tivemos [na Comissão Nacional] mais uma demonstração disso na formulação das listas apresentadas», respondeu, numa alusão ao facto de apenas terem existido seis abstenções nas eleições para a Comissão Política e Secretariado.

Segundo Vitalino Canas, «no PS existe às vezes confrontação política, mas nos objectivos essenciais o partido está unido».

«Como porta-voz do partido não é minha função comentar as várias incidências do debate interno», argumentou ainda, perante a insistência dos jornalistas em torno da polémica que envolveu José Lello e Manuel Alegre.

Sobre a nomeação de Vieira da Silva para secretário nacional do PS, substituindo Marcos Perestrello, tendo como missão chefiar a máquina partidária, Vitalino Canas recusou a ideia de o ministro do Trabalho e da Solidariedade ter pouca disponibilidade para estas funções.

Vitalino Canas lembrou que Vieira da Silva já foi secretário nacional para a organização durante a liderança de Ferro Rodrigues e caracterizou-o como um dirigente «com grande capacidade de trabalho, profundo conhecimento do PS, grande sensatez e equilíbrio».

«Não há qualquer contradição entre assumir este cargo e ser ministro. Mesmo enquanto ministro Vieira da Silva sempre participou nas reuniões do Secretariado Nacional do PS», frisou Vitalino Canas.