O Presidente do PS-Madeira e cabeça de lista da Coligação Mudança, Victor Freitas, apresentou a sua demissão de líder regional do PS este domingo, depois de terem sido conhecidos os resultados das eleições que deram a vitória ao PSD.

«Assumo que esta estratégia foi conduzia por mim e como tal  apresento a minha demissão de líder do Partido Socialista Madeira, abrindo espaço para que o partido encontre outro líder e prepare as eleições nacionais.»

Victor Freitas felicitou o líder do PSD, Miguel Albuquerque, pela vitória no ato eleitoral, desejando-lhe votos de sucesso e deixando sugestões, em jeito de recados.

«[Esperamos] que renegoceie a dívida, os transportes aéreos e marítimos, consiga resolver os problema das listas de espera.»


O socialista assumiu assim a derrota, mas não deixou passar em branco a elevada abstenção, acima dos 50%.

«Cinquenta por cento dos madeirenses ficaram em casa. Todos os partidos devem refletir sobre a abstenção.»


Já antes das declarações de Vitor Freitas, o secretário-geral do PS- Madeira, Jaime Leandro, tinha admitido que os
«os objetivos da Coligação Mudança não foram atingidos» e que o partido tem consciência de que os resultados «não são bons».

«Temos consciência de que os resultados não são bons, mas temos consciência de que fizemos tudo para ter melhores resultados.» 


O socialista rejeitou a palavra «arrependimento». Porém, assumiu que os resultados devem ser objeto de reflexão.

«Os próprios partidos quando somados estão a valer menos do que separados e isso deve-nos fazer refletir. [...] Há de facto ilações a tirar.»

Jaime Leandro afirmou ainda que o PS respeita a escolha do eleitorado «porque o povo é soberano».

«A ideia foi boa, mas acabou por não recolher do eleitorado aquilo que se pretendia. Perde a madeira e perdem os madeirenses.»


Já em Lisboa, no Largo do Rato, Porfírio Silva afirmou que a coligação Mudança pretendia oferecer «alternativa política ao povo madeirense» e lembrou a «promessa» de Miguel Albuquerque, o vencedor das eleições, do PSD, de «melhorar» a governabilidade democrática no arquipélago

«Parece-me mais ou menos evidente que não atingimos objetivos», diz o socialista, aludindo ao facto de o PS ficar em terceiro nestas eleições regionais.

Sobre a coligação Mudança, «refletiremos sobre o caminho que tomámos», acrescentou.

Apesar da derrota, Porfírio da Silva recusou retirar uma leitura nacional destes resultados.

«Nenhuma derrota, tal como nenhuma vitória é menor, mas a História demonstra, desde o 25 de Abril, que as eleições regionais são muito particulares e diferentes das eleições nacionais.»

O Partido Social Democrata ganhou as eleições regionais na Madeira com 44,33% dos votos e garantiu a maioria absoluta à última hora, conseguindo eleger o 24º deputado pretendido. O PS, que concorreu com mais três partidos, na Coligação Mudança, ficou em terceiro, garantindo apenas seis deputados - o mesmo número de deputados que tinha conseguido em 2011, quando concorreu sozinho.   
CDU: a derrota de uma «coligação sem princípios que o PS liderou»

Jerónimo de Sousa já reagiu aos resultados do ato eleitoral madeirense, destacando o aumento da expressão eleitoral obtida pela CDU e a derrota de «uma coligação sem princípios que o PS liderou».

«O PCP sublinha o significado destes resultados quando obtidos num quadro muito complexo e exigente. O sucesso eleitoral é simultaneamente  a derrota de manobras para procurar isolar a CDU quer fosse pela constituição de uma coligação sem  princípios que o PS liderou  [...] quer pelo tratamento editorial que alguns órgãos de comunicação social assumiram.» 


Para o PCP, os números confirmam o percurso de crescimento da CDU e constituem um «voto de confiança»

«O resultado hoje obtido, confirmando um percurso de crescimento e de alargamento de influência da CDU, representa um fator de confiança e ânimo para as muitas batalhas eleitorais pela rutura com a política de direita e pela construção de uma política alternativa.»


A CDU (Coligação Democrática unitária, composta pelo PCP e PEV) conseguiu 5,54% dos votos, o que permite a esta força política colocar dois deputados - Edgar Silva e Sílvia Vasconcelos - na Assembleia Legislativa da Madeira.


BE: Não atingimos «o objetivo de retirar a maioria absoluta ao PSD»

A porta-voz nacional do Bloco de Esquerda admitiu que o partido falhou o «objetivo essencial» de retirar a maioria absoluta ao PSD, mas sublinhou o «resultado expressivo» que permite regressar ao parlamento regional.

«O Bloco de Esquerda não atingiu um objetivo que era essencial para nós, que era retirar a maioria absoluta ao PSD».


Catarina Martins referiu que o partido é «confrontado com o facto de o PSD continuar a ter maioria absoluta na região» e de que por isso mesmo o BE continuará «numa situação de grande dificuldade».

Ainda assim, a porta-voz nacional do partido deu os parabéns aos candidatos e aos militantes pelo resultado «expressivo e importante» que permite o regresso do BE ao parlamento regional e, pela primeira vez, com uma representação de dois deputados.

«Não é fácil a um partido político, depois de sair do parlamento, voltar ao parlamento, e isso aconteceu. […] é a maior representação que o BE já teve no parlamento regional da Madeira e, portanto, o nosso trabalho será reforçado a partir de agora.»


O Bloco de Esquerda, que conquistou 3,8% dos votos, elegeu dois deputados para a assembleia regional da Madeira, recuperando a sua representação parlamentar, depois de nas eleições de 2011 ter perdido o seu único deputado com assento no parlamento regional. Foi a primeira vez que o partido conseguiu eleger mais do que um deputado para o parlamento da Madeira.

Na assembleia estarão presentes Roberto Almada, coordenador regional do Bloco de Esquerda na Madeira e ex-deputado regional, e Rodrigo Trancoso, presidente da assembleia municipal do Funchal e dirigente regional do partido.


CDS: partido resistiu a «operação política promovida pelo PS»

O presidente do CDS-PP, Paulo Portas, saudou o líder centrista madeirense pelo «resultado especialmente consistente, resistente e sustentado», apontando críticas a sondagens e comunicação social por falta de reconhecimento do «segundo partido» daquela região autónoma. Paulo Portas felicitou o dirigente do CDS-Madeira, José Manuel Rodrigues, numas «eleições especialmente difíceis».

«Consolida o segundo lugar, não teve um resultado ocasional há quatro anos, volta a ser o segundo partido, o líder da oposição, a cabeça da alternativa, de longe o segundo grupo partidário na Assembleia Regional da Madeira.»


Segundo o máximo dirigente centrista, o partido «resistiu muito bem a uma operação política que era uma espécie de todos contra o CDS, promovida pelo PS, que tentaram uma coligação com tanto partido tão diferente com o único objetivo de ultrapassar o CDS».

O CDS-PP alcançou 13,69% dos votos, elegendo sete deputados, menos dois do que tinha conseguido em 2011, quando teve 17,63%.