A subcomissão de ética da 1.ª comissão parlamentar (Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias) decidiu esta quinta-feira ouvir o socialista Nuno Sá na próxima semana sobre a situação do seu mandato como deputado.

Foi entregue um requerimento de Nuno Sá pedindo para ser ouvido pela subcomissão, que decidiu aceitá-lo. Como haverá jornadas parlamentares do BE na segunda e terça-feira, vamos sugerir-lhe a quarta-feira de manhã", disse à Lusa o social-democrata Marques Guedes, que preside aos trabalhos.

O antigo coordenador para as questões de trabalho da bancada socialista na última legislatura e que apoiou a liderança de António José Seguro pediu a suspensão do seu mandato de deputado a 26 de novembro, quando o também parlamentar do PS Manuel Caldeira Cabral (cabeça de lista socialista por Braga) transitou para a pasta da Economia no Governo de António Costa.

Em causa está a tese de que "só pode suspender o mandato de deputado quem é diretamente eleito" e "quem é efetivamente titular do mandato de deputado", ou seja, ao não substituir o ministro da Economia logo a 26 de novembro passado, Nuno Sá pode não ter chegado a assumir a titularidade do seu mandato, o qual passou automaticamente para o candidato seguinte da lista pelo círculo eleitoral de Braga, a socialista Palmira Maciel.

Nuno Sá, que é funcionário público, exercendo funções na Autoridade para as Condições de Trabalho, manifestou quarta-feira à Agência Lusa estranheza face ao comportamento da bancada socialista em relação à sua intenção de regressar ao parlamento e disse estar disposto a "ir até às últimas consequências".

O ex-dirigente socialista afirma que espera exercer o seu mandato de deputado "já a partir de quinta-feira, independentemente daquilo que o Grupo Parlamentar do PS comunique ou não comunique aos serviços da Assembleia da República, particularmente à subcomissão de ética".