O dirigente socialista João Soares apontou esta sexta-feira a existência de um preconceito «aristocrático» e reacionário contra a liderança de Seguro e manifestou confiança que o PS só assinará um acordo que salvaguarde os seus princípios e valores.

Esta posição sobre o processo negocial entre socialistas, PSD e CDS, tendo em vista o acordo proposto pelo chefe de Estado, Cavaco Silva, foi colocada no Facebook pelo ex-presidente da Câmara de Lisboa e transcrita pela agência Lusa com conhecimento do atual deputado do PS.

Numa referência ao atual quadro interno no PS, João Soares lamentou que exista uma «campanha/preconceito anti-atual direção do PS, anti-secretário-geral António José Seguro».

«É um preconceito de natureza aristocrática, portanto reacionária, sem nenhuma relação com uma avaliação concreta do trabalho e das condições em que o trabalho dele tem sido realizado. Respondo a esse preconceito dizendo que eu, enquanto quadro do PS, sinto-me feliz por poder pronunciar-me nos órgãos próprios do partido sobre as opções que temos de fazer. Lamento que a mesma oportunidade não me tenha sido dada quando, por exemplo, assinámos o memorando com a 'troika' (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia», disse, numa alusão crítica à anterior direção do PS.

João Soares defendeu depois que um eventual compromisso político com o PSD e CDS «seria desejável nas atuais circunstâncias de dificuldade extrema».

«Antes de mais porque romperia a lógica maniqueísta de bons contra maus, Benfica/Sporting, em que artificialmente temos vivido nos últimos anos. Essa lógica herdada do velho esquema do salazarismo versus comunismo, ou vice-versa, tem prolongado esse maléfico maniqueísmo redutor, limitando a nossa ação e capacidade de refletir, de uma forma dramática», sustentou o dirigente socialista.

João Soares manifestou ainda «confiança» no líder da equipa negocial do PS, Alberto Martins, e no secretário-geral socialista, dizendo ter a certeza que não proporão ao PS um acordo «em que não estejam salvaguardados claramente os valores essenciais do modelo social europeu, do projeto político do país e até da independência da pátria».