A presidente do PS, Maria de Belém, afirmou hoje que o Governo da maioria PSD/CDS-PP tem recorrido a «iscos», como a eventual baixa do IRS em 2015, como parte da sua «agenda eleitoral» para camuflar os próximos cortes.

«Essa questão está a ocupar a agenda neste momento, a ocupar a agenda do Governo, que é uma agenda eleitoral. Isto é aquilo que o Governo sistematicamente atira para a opinião pública no sentido de tentar distrair as atenções em relação aos principais problemas do país», afirmou a responsável socialista, na sede lisboeta.

A antiga ministra da Saúde «gostaria de saber que cortes é que o Governo se prepara para fazer», depois da recente reunião extraordinária do Conselho de Ministros, a qual o secretário-geral socialista, António José Seguro, disse conter uma «agenda escondida».

«Ou o Governo julga que não são cortes transformar em definitivos todos os cortes que introduziu a nível das prestações sociais, designadamente das pensões? Acham que transitoriedade é igual a definitividade?», questionou.

A deputada do PS disse que «a Comunicação Social tem obrigação de ver porque são feitas determinadas afirmações, se lançam determinados iscos».

«Como aquele da semana passada, por parte do secretário de Estado da Administração Pública, penso eu, que disse de mais, disse mal, foi longe de mais e não lhe aconteceu nada», lembrou, referindo-se ao episódio da fonte oficial do Ministério das Finanças que admitiu que os cortes nas pensões seriam tornados permanentes.

Políticas integradas para combater «inaceitável pobreza»

Maria de Belém defendeu também políticas integradas para combater a «inaceitável pobreza» em Portugal, começando pelo aumento do salário mínimo.

A antiga ministra da Saúde falava na sede do partido, em Lisboa, após um encontro de dirigentes socialistas com representantes da Rede Europeia Anti-Pobreza, entre os quais o padre Jardim Moreira, que considerou um «bom desejo» a promessa feita quarta-feira pelo líder socialista, António José Seguro, de retirar das ruas as pessoas sem-abrigo numa legislatura.

«É uma questão de civilização e de democracia. Pessoas pobres e cada vez mais pobres estão impedidas de exercer os seus direitos e deveres. Uma das primeiras medidas que deveriam ser tomadas contra a pobreza em Portugal - que os últimos números nos dizem ser um fenómeno cada vez mais enraizado, alargado e preocupante, e que deve ser atacado com políticas integradas - é aumentar o salário mínimo nacional», defendeu Maria de Belém.

A também deputada do PS citou estatísticas do Instituto Nacional de Estatística «relativas à dimensão absolutamente escandalosa e inaceitável da pobreza em Portugal», estudos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, «que aconselham o país a não cortar mais nas prestações sociais» e até o presidente da Comissão Europeia, o português e social-democrata Durão Barroso.

«Até disse, numa entrevista este fim de semana, que aconselhou o Governo a não ir longe de mais. Pelos vistos, conselho que o Governo não respeitou e não seguiu», criticou.

Por sua vez, o representante da REAP alertou para a dificuldade no acompanhamento e apoio aos sem-abrigo, nomeadamente numa cidade como a capital portuguesa, por comparação com o Porto, onde já tem experiência.

«Acho um bom desejo e compromisso, naturalmente que as estratégias e os meios a ter em conta não serão fáceis. As nossas possibilidades governamentais não são assim muito alargadas. É necessário que as instituições privadas também participem. Não depende só de um partido ou de um Governo», afirmou Jardim Moreira.