O presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, considerou esta sexta-feira, à chegada ao 21.º Congresso do PS, que "é sempre magnífico" que se levantem vozes críticas, especialmente em congressos "com esmagadoras maiorias".

Eu espero que haja vozes críticas, é sempre magnífico e abona em favor quando há estes congressos com esmagadoras maiorias. É muito bom até para legitimar essas esmagadoras maiorias", afirmou Ferro Rodrigues em resposta aos jornalistas à chega à Feira Internacional de Lisboa (FIL).

Sobre o desenrolar dos três dias de congresso, o presidente da Assembleia da República sublinhou que "este é um grande partido democrático, o partido do Governo, e portanto certamente que os debates serão exatamente sobre essa nova situação que se vive".

Para mim é muito interessante estar num congresso não apenas como militante do PS mas também como presidente da Assembleia da República porque não posso despir uma camisola e vestir outra de um momento para o outro", acrescentou.

Sobre a intervenção, Ferro Rodrigues não quis adiantar qual o tema: "Vou pensar nisso ainda hoje à noite".

Por questões de agenda, a intervenção do presidente da Assembleia da República foi alterada de hoje para sábado, e realizar-se-á ao início da tarde.

Instado a comentar a proposta do PSD para a sustentabilidade da Segurança Social, apresentada hoje pelo presidente dos sociais-democratas, Ferro Rodrigues recusou-se a falar "em nome do Partido Socialista sobre questões que são de propostas que vão ser discutidas na Assembleia da República".

O presidente do PSD e ex-primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, anunciou esta tarde um projeto de resolução para uma "Comissão Eventual para promover uma reforma estrutural do sistema público de Segurança Social" no parlamento.

Sou presidente de todos os deputados, isso não invalida que seja militante do PS e que não venha aqui com todo o gosto e amanhã terei oportunidade de me exprimir, mas sobre as questões táticas, sobre aquilo que o Partido Socialista deve fazer neste ou naquele assunto, sobretudo aqueles que estão em debate na Assembleia da República, não me quero pronunciar", rematou.

Já depois de fazer a sua acreditação, Ferro Rodrigues voltou a falar aos jornalistas, afirmando que este é "um momento que é particularmente novo para o PS, um momento em que ao fim de 42 anos há um Governo do PS apoiado por uma maioria que não é a habitual, nem sequer foi a habitual durante o tempo de outros governos do Partido Socialista".

Sobre o secretário-geral do partido, Ferro considerou que "António Costa foi eleito em eleições diretas e portanto não é este congresso que pode pôr isso em causa".

Quanto ao futuro do acordo de Governo com PCP e Bloco de Esquerda, a segunda figura do Estado considerou que "este congresso passa-se em 2016, haverá certamente um congresso em 2018, e eleições em princípio só em 2019, portanto é muito cedo" para comentar.

Fiquei surpreendido há sete meses atrás quando foram construídos os acordos, mas eu tenho a experiência política suficiente para saber que quando há acordos os partidos que os assinam louvam esses acordos e é isso que está a acontecer", sustentou.

Questionado sobra a "sobrevivência dos acordos" após as eleições autárquicas de 2017, Ferro respondeu com uma questão: "mas porque é que não haviam de sobreviver?".