O candidato do PS à presidência do município de Lisboa e atual presidente da autarquia afirmou hoje que a sua candidatura se distingue das restantes por defender que um modelo de mobilidade focado no carro “não tem nenhuma sustentabilidade”.

“O que eu acho que nos distingue de todas as outras candidaturas, em particular das candidaturas à direita, é a constatação que nós temos de que o modelo atual que temos de a mobilidade assente no transporte individual não tem nenhuma sustentabilidade”, declarou Fernando medina.

Falando aos jornalistas à margem de uma ação de campanha em Campo de Ourique, o autarca socialista falou no exemplo desta freguesia, em que existe mais do que um carro por fogo.

A alternativa é investimento a sério no transporte público, na Carris, em melhorar a sua oferta, mas também investir na rede de elétricos, que são um meio intermédio entre o metro e o autocarro, mas com mais capacidade de carga do que os autocarros e amigo do ambiente”, elencou.

Aludindo à gestão municipal da rodoviária Carris, iniciada em fevereiro passado, Fernando Medina admitiu que a transportadora “ainda não recuperou o número global de passageiros”, mas assegurou que “vai fazê-lo muito em breve”.

O autarca recusou prometer “aquilo que não consiga cumprir”, razão pela qual nunca disse que iria resolver a situação da Carris “de um dia para o outro”.

“O que prometo é trabalho e determinação para investirmos nesta área do transporte público”, reforçou.

Outro dos problemas da freguesia relaciona-se com o estacionamento.

O responsável frisou que, nessa questão, a Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL) tem “um papel importante do ponto de vista da regulação do estacionamento e, no fundo, impedir que haja um estacionamento caótico e anárquico”.

Ainda assim, “há freguesias que são complexas”, como esta, pelo que o município está a apostar em mais parques de estacionamento.

Fernando Medina assumiu o cargo de presidente da Câmara de Lisboa em abril de 2015 para substituir nestas funções o atual primeiro-ministro e líder socialista, António Costa.

Nas eleições de 01 de outubro concorrem à presidência da Câmara de Lisboa Fernando Medina (PS), Assunção Cristas (CDS-PP/MPT/PPM), João Ferreira (CDU), Ricardo Robles (BE), Teresa Leal Coelho (PSD), Inês Sousa Real (PAN), Joana Amaral Dias (Nós, Cidadãos!), Carlos Teixeira (PDR/JPP), António Arruda (PURP), José Pinto-Coelho (PNR), Amândio Madaleno (PTP) e Luís Júdice (PCTP-MRPP).

Medina não foi notificado para regularizar declaração de compra de casa em Lisboa

À margem de uma ação de pré-campanha em Campo de Ourique, o presidente da Câmara de Lisboa e candidato socialista à presidência do município disse não ter sido notificado para regularizar, junto do Tribunal Constitucional, a declaração da compra de casa, reiterando que fez “aquilo que devia”.

Não, não fui notificado. Remeto para os esclarecimentos e comunicados que fiz. Declarei tudo aquilo que, em consciência, na minha interpretação da lei, é o que devo fazer”, disse Fernando Medina.

O autarca socialista reforçou que fez “aquilo que devia […], que é com total e absoluta transparência publicar no ‘site’ da campanha todos os esclarecimentos relativamente a essa situação”.

“Se outros aproveitam, na base da insídia e da insinuação o que foi uma denúncia anónima colocada a três semanas antes das eleições autárquicas [marcadas para 01 de outubro], o juízo ficará para os eleitores sobre quem usa esses métodos”, acrescentou.

A notícia da compra do imóvel foi avançada pelo jornal ‘online’ Observador, que revelou que Fernando Medina não declarou ao Tribunal Constitucional ser proprietário de um duplex no centro de Lisboa que adquiriu a 27 de setembro de 2016 por 645 mil euros, tendo apenas informado do pagamento de um sinal de compra de 220 mil euros.

Em resposta enviada à agência Lusa na quarta-feira, a Procuradoria-Geral da República confirmou que "a matéria relativa à compra do imóvel é referida numa denúncia anónima recebida na Procuradoria-Geral da República em finais de agosto" e que a participação foi remetida ao Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa, "onde se encontra em investigação".

Fernando Medina considerou que foi “muito mais longe naquilo que a lei obriga”.

“Estou naturalmente disponível, como não poderia deixar de ser porque essa é a minha obrigação, de que se o entendimento não for esse, eu fazer uma atualização da declaração”, afirmou.

O cabeça de lista do PS defendeu ainda que este assunto “perderá toda a atualidade ou qualquer relevância quando dentro de dias terminar funções e atualizar, aí sim como a lei obriga, a declaração ao Tribunal Constitucional”.

Fernando Medina assumiu o cargo de presidente da Câmara de Lisboa em abril de 2015 para substituir nestas funções o atual primeiro-ministro e líder socialista, António Costa.