O cabeça de lista do PS às eleições europeias disse esta sexta-feira que a discussão sobre quem colocou a troika em Portugal é «inútil» e «perigosa». Francisco Assis defendeu que o que «agora está em causa é discutir o futuro».

«Objetivamente quem colocou cá a troika foi quem derrubou um Governo que estava a negociar as condições que impedissem a vinda da troika para Portugal. Pela sua obsessão absoluta de chegar rapidamente ao poder, a direita portuguesa é que esteve na base da vinda da troika para Portugal. Essa discussão é inútil e até perigosa», disse o candidato do PS.

De acordo com a Lusa, Francisco Assis comentava assim as declarações feitas esta sexta-feira pelos candidatos da coligação PSD/CDS-PP, Paulo Rangel e Nuno Melo, que afirmaram que foi o PS quem trouxe a troika para Portugal, pelo que deveria ser «o primeiro a festejar» a sua saída do país.

«O que está em causa não é a discussão sobre o passado. Por muito que custe ao doutor Nuno Melo e ao doutor Paulo Rangel a discussão agora é sobre o futuro. Eles tentam permanentemente falsificar o passado porque acham que isso é mais fácil. Agora a discussão é sobre as saídas futuras para Portugal e para a Europa», referiu Francisco Assis.

O socialista garantiu ter «uma visão diferente» face ao PSD e CDS-PP, por «recusar» uma «linha de austeridade» que, defendeu, «foi imposta por um lado, mas também escolhida por este Governo».

«Queremos seguir por um caminho que concilie o rigor na gestão das finanças públicas com a preocupação de criar instrumentos que permitam criar o crescimento da economia. Introduzir mudanças de orientação política: uma política orçamental atenta às necessidades específicas de cada país e no caso especifico português, atenta à necessidade de libertarmos recursos para o investimento público que é indutor de investimento privado», defendeu o candidato do PS.

«Infelizmente e a ver pelo teor do documento [Documento de Estratégia Orçamental] apresentado pelo Governo não há nenhuma saída para este Governo que não seja a persecução das políticas que conduziram ao agravamento da crise com que já estávamos confrontados», acrescentou Assis.

O candidato socialista falava, aos jornalistas, em Matosinhos, à entrada para um encontro com o Clube Via Norte, no qual disse que iria apresentar a sua visão para a mudança «possível», «necessária» e «desejável» para Portugal e para a Europa.

As eleições europeias realizam-se a 25 de maio em Portugal.