O secretário-geral do PS, António José Seguro, disse sexta-feira à noite, em Coimbra, que a direita «nunca conseguirá fazer» uma revisão constitucional para «desmantelar» o Estado Social.

A direita «nunca desistiu de tentar» fazer «uma revisão constitucional para diminuir os direitos dos trabalhadores ou para desmantelar o Estado Social, que está na nossa Constituição», afirmou o líder do PS, assegurando que essa revisão «nunca passará».

«Sempre defendemos a economia de mercado, mas nunca uma sociedade de mercado», salientou António José Seguro, que falava num comício em Coimbra.

Seguro referiu-se ainda a questões internas do partido, sublinhando que «se fosse por jogos de poder» não se tinha «disponibilizado para ser candidato a secretário-geral do partido», há três anos.

«Aqui não há heróis. Somos todos republicados, homens e mulheres, com a mesma dimensão, com o mesmo valor e com a mesma capacidade», frisou o secretário-geral do PS.

«Quando tínhamos a meta à vista aconteceu isto [candidatura de António Costa à liderança do PS]. Sinto que juntos teremos a força para dar a volta a isto. E isto não é só o que nos aconteceu no partido. É fazer do nosso país aquilo que nunca foi feito», realçou.

Seguro acrescentou que não pretende formar «um governozinho ou um governo de turno», rejeitando ser «um primeiro-ministro de ouvido», mas «de projeto».

Carlos Silva, líder da UGT, presente no comício, afirmou que «o que aconteceu no último mês põe uma clara dúvida aos portugueses», considerando que a candidatura de António Costa à liderança do PS «é um ataque às bases do partido», uma vez que o atual secretário-geral foi «eleito em diretas», com os votos dos militantes.

O país «precisa de um PS unido e coeso», defendeu Carlos Silva.

Também Manuel Machado, presidente da Câmara de Coimbra e da Associação Nacional de Municípios Portugueses, esteve presente no comício, salientando a importância dos resultados das autárquicas e europeias, afirmando que estes «evidenciam o contrário do que alguns pretendem fazer crer».

«Não nos tolham o caminho já feito», exigiu Manuel Machado, defendendo que «tanta energia bem empreendida» não pode agora «ser desperdiçada».

António José Seguro falava num comício com militantes e simpatizantes do PS no Pavilhão Centro de Portugal, que se realizou esta noite, onde também discursaram Luís Antunes, autarca da Lousã, Emílio Torrão, presidente da Câmara de Montemor-o-Velho, José Carlos Alexandrino, presidente do município de Oliveira do Hospital, Mário Jorge, presidente da Câmara de Soure, Nuno Moita, autarca de Condeixa-a-Nova e Pedro Coimbra, líder da distrital do PS.