São várias as críticas que o líder parlamentar do PS-Madeira faz ao governo regional liderado por Miguel Albuquerque (PSD), desde o final de março. Carlos Pereira diz que não só o executivo se “agachou às intenções do Governo da República” , como Albuquerque está como "Passos Coelho para a chanceler alemã Angela Merkel". 

O responsável socialista madeirense argumentou que apesar da aparente “lua-de-mel” política que a Madeira está a vivenciar, com a saída do líder Alberto João Jardim e o bom relacionamento institucional com o governo central, as pessoas já começam a “recear estar perante uma espécie de beijo da mulher aranha”. Isto por poder “haver uma agenda de segundas intenções do governo regional” atual.

Numa intervenção política que abriu esta terça-feira os trabalhos da reunião plenária da Assembleia Legislativa da Madeira, Carlos Pereira disse, segundo a Lusa, que Albuquerque está como "Passos Coelho para a chanceler alemã Angela Merkel" e se “agachou às intenções do Governo da República”, ao aceitar a imposição de afetar os 43 milhões de euros do Fundo de Coesão para pagar a dívida, em vez de ser utilizado para reduzir as assimetrias. 

Uma medida que resultou da primeira visita oficial de Passos Coelho ao arquipélago, no início de junho. Sobre a dívida da Madeira e o Plano de Ajustamento Económico e Financeiro implementado após a descoberta do buraco nas contas regionais, o primeiro-ministro não descartou rever as condições do programa, destacando, fundamentalmente, uma possível   extensão dos prazos de reembolso.


Despedimentos na saúde


O líder parlamentar do PS-Madeira disse ainda, na mesma intervenção, que apesar de Miguel Albuquerque ter desmentido várias vezes, começam a surgir notícias de que “estão em curso despedimentos no Serviço Regional de Saúde”. Aludia a notícias veiculadas na região, segundo as quais decorrem processos para dispensar cerca de duas dezenas de funcionários na área da saúde da administração pública insular.

“A Madeira precisa de um governo com preocupação social e não de um governo que transporte para a região as políticas nacionais”


O líder do PS/M declarou que “o sistema regional de saúde da Madeira faliu” também na sua missão de facultar prestação de cuidados de qualidade.

O deputado do BE Roberto Almada considerou que “este despedimento significa desmembramento deste serviço público” e que o governo regional, “que se intitula de renovador, não é mais do que um governo que despede, recusa parar com a austeridades e quer cavalgar numa corrida de destruição dos serviços públicos essenciais”.

Edgar Silva (PCP/PEV) disse que esta “notícia de despedimentos em massa” corresponde a uma “situação de catástrofe social”.

Por seu turno, Dionísio Andrade (PND) levantou a questão da maioria dos funcionários terem entrado na administração pública por serem possuidores do denominado “cartão laranja” (PSD), referindo a situação do seu número ser adequado à realidade regional.

O deputado do PSD/M Carlos Rodrigues sublinhou ser “falso que o governo vá proceder a despedimentos em massa”. As informações citadas “não constituem verdades absolutas”, afirmou. 

“A notícia não foi desmentida”, respondeu o líder do PS/Madeira.