O Presidente da República rejeita leituras nacionais dos resultados das eleições nos Açores e defendeu que a abstenção é um problema contemporâneo que deve ser ultrapassado com pedagogia e com democracia participativa.

Eleições regionais são eleições regionais, não têm leituras nacionais", afirmou aos jornalistas, nesta segunda-feira, Marcelo Rebelo de Sousa, num campus de biotecnologia em Genebra onde esteve com o presidente da Suíça, Johann N. Schneider-Ammann, durante a sua visita de Estado a este país.

Questionado sobre a abstenção recorde de 59,16% registada nas eleições regionais dos Açores, o chefe de Estado considerou que esse é "um problema nas democracias contemporâneas, que tem a ver muito com a mudança da democracia" e reflete "o afastamento das pessoas em relação ao poder, àqueles que governam".

O Presidente da República acrescentou que "a democracia não é apenas eleições, é uma participação contínua ao longo do tempo". 

Espero que no futuro aquilo que está a acontecer em muitas democracias e que em Portugal vai acontecendo possa ser ultrapassado por essa democracia participativa."

Marcelo Rebelo de Sousa defendeu também que "é importante fazer uma pedagogia contra a abstenção" e que "essa pedagogia não se pode fazer só em período eleitoral ou pré-eleitoral".

O PS venceu no domingo as eleições legislativas regionais dos Açores, conquistando uma nova maioria absoluta ao conseguir eleger 30 deputados do total de 57 parlamentares da Assembleia Legislativa Regional.

O PSD conquistou 19 deputados, o CDS-PP quatro, o BE dois e o PCP-PEV e o PPM um deputado cada um.

Em relação às anteriores eleições, em 2012, os socialistas perdem um deputado tal como o PSD, enquanto o CDS-PP e o BE ganham um cada. O PCP-PEV e o PPM mantêm um deputado cada.

A abstenção atingiu 59,16%, um recorde em eleições regionais nos Açores. Em 2012, não foram às urnas 52,12% dos eleitores.