Passos Coelho pediu desculpa aos portugueses depois de afirmar que ocorreu um suicídio em Pedrógão Grande por falta de apoio psicológico, na sequência do incêndio em que morreram 64 pessoas.

O líder do PSD assumiu que não devia ter divulgado uma informação que não estava confirmada e que um político local, que estava a seu lado, lhe fez notar que a notícia carecia de confirmação oficial.

Peço desculpa por ter utilizado uma informação que não estava confirmada. Não devia ter utilizado essa informação, devia-a ter pesado melhor, ter obtido uma confirmação", afirmou Passos Coelho, à chegada a Odivelas para a apresentação da candidatura de Fernando Seara à Câmara Municipa.

"Se o erro que eu próprio cometi, quando fiz uma alusão a uma situação mais dramática cuja consequência não se confirmou, e ainda bem, se esse erro servir pelo menos para que haja uma atenção pública maior e o apoio público possa chegar mais rapidamente, terá essa consequência", disse.

O líder do PSD escusou-se a responder às críticas do PS, que o acusou de se "aproveitar emocionalmente da tragédia", e disse que também não quis utilizar esta informação como "arma de arremesso partidária".

"Outra coisa é fechar os olhos e fingir que as coisas não acontecem", ressalvou.

Passos foi "induzido em erro" pelo provedor da Santa Casa da Misericórdia de Pedrógão Grande, assumiu o próprio João Marques.

Já pedi desculpas ao dr. Passos Coelho por tê-lo induzido em erro. Pensava que era uma informação de fonte fidedigna e dei azo a esta falsa notíciaHouve um mal-entendido do qual sou também responsável."

O mea culpa surge pouco depois de a Administração Regional de Saúde (ARS) do Centro ter negado a afirmação do presidente do PSD, assegurando não haver, até à data, "nenhum caso de suicídio com ligação" direta à zona afetada pelo incêndio de Pedrógão Grande.

Passos disse, nesta segunda-feira, ter tido conhecimento de que ocorreu um suicídio por falta de apoio psicológico, falha que imputa ao Estado.

O próprio presidente da Câmara de Pedrógão Grande garantiu aos jornalistas que houve "uma tentativa de suicidio, mas de uma situação que se arrasta há meses".

"Quem informou Passos coelho deve ser chamado à responsabilidade, pois colocou-o em má situação", sublinhou Valdemar Alves.

João Marques, que é também líder da concelhia do PSD e cabeça-de-lista do partido às autárquicas, explicou que às 10:00, em Vila Facaia, recebeu a informação, por "pessoas da freguesia" e na presença do presidente da junta, de que uma pessoa se teria suicidado. Por serem informações dadas por locais, que conheciam a alegada vítima, tomou-as como "fidedignas".

Segundo o provedor, não foram avisadas as autoridades competentes porque o responsável pressupôs "que as autoridades já teriam conhecimento" da situação, depois de no domingo ter alertado a Segurança Social e a Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC) sobre a necessidade de acompanhamento psicológico das populações afetadas pelo incêndio.

Às 10:30, João Marques alertou o líder do PSD, Passos Coelho, na vila sede do concelho, sobre o caso de suicídio, "com base na informação" que lhe tinha sido dada em Vila Facaia.

"Por volta das 15:00", acabou por saber que a informação que lhe tinha sido dada estava "errada", pedindo "desculpas" a Passos Coelho e "à própria pessoa" que supostamente se teria suicidado.

"Tomámos a notícia como verdadeira. Devíamos ter confirmado", admitiu o também ex-presidente do município durante quatro mandatos.

João Marques foi líder do executivo de Pedrógão Grande (distrito de Leiria) pelo PSD de 1997 até 2013, altura em que não se pôde recandidatar devido à lei de limitação de mandatos.

Em 2013, Valdemar Alves foi eleito presidente da autarquia, como independente, nas listas do PSD.

Quando se esperava uma recandidatura de Valdemar Alves pelo PSD, a concelhia liderada por João Marques aprovou o nome deste antigo presidente da Câmara como candidato social-democrata à autarquia.

Após esta decisão, Valdemar Alves tornou-se candidato independente pelo PS às eleições de outubro.