Dirigentes do PSD e do CDS-PP anunciaram que incluirão no programa eleitoral para as eleições legislativas uma medida para que os idosos "permaneçam voluntariamente no mercado de trabalho" ou em "reforma parcial".

"Trabalharemos no sentido de criar condições para dinamizar a possibilidade de as pessoas idosas permanecerem voluntariamente no mercado de trabalho ou, por exemplo, a questão da reforma parcial", anunciou o vice-presidente social-democrata José Matos Correia.

A vice-presidente do CDS-PP Assunção Cristas também se referiu à medida, enquadrando-a numa perspetiva de "transição da vida ativa para reforma", com a aposta em "modelos de trabalho parcial e reforma parcial".

Assunção Cristas sustentou que a passagem à reforma é considerada por muitas pessoas como uma "transição abrupta" e que, com esta possibilidade de continuarem no mercado de trabalho, se assim voluntariamente as pessoas entenderem, também "a sociedade poderá beneficiar da experiência dos mais idosos".

Os dois dirigentes falavam em locais distintos, no decorrer dos Conselhos Nacionais de PSD e CDS-PP, que se realizaram em simultâneo, no caso dos centristas na sua sede nacional e no caso dos sociais-democratas num hotel de Lisboa.

Matos Correia e Assunção Cristas anunciaram também a intenção de reintroduzir o abono de família no quarto e quinto escalão do IRS, bem como o alargamento da rede de creches, e a universalização do pré-escolar para os quatro anos de idade no ano letivo de 2016/2017, apontando para que depois progrida para os três anos.

A reposição do abono de família para aqueles escalões do IRS será feita "no decurso da próxima legislatura e em ligação com o crescimento económico e com a recuperação do emprego", apontou Matos Correia, sem calendarizar, tal como Assunção Cristas.

"Como noutras matérias, trabalhamos no sentido de garantir que isto vai acontecer, mas não podemos garantir em que tempo concreto e com que ritmo vai acontecer, mas trabalhamos para poder caminhar no sentido de repor o quarto e quinto escalão do abono de família", declarou a vice centrista.

As medidas avançadas hoje por PSD e CDS-PP centraram-se nas áreas da demografia, em articulação com as matérias sociais e de educação, mas também de competitividade e modernização administrativa.

Matos Correia enunciou a "ambição" de uma "total digitalização na relação dos cidadãos com o Estado no decurso da próxima legislatura".

Ambos os dirigentes referiram-se a um "programa de desenvolvimento social", que combate a "pobreza e a pobreza infantil", e que tome o lugar do programa de emergência social do atual Governo, uma área que foi tutelada pelo centrista Pedro Mota Soares.

Segundo Assunção Esteves, esse programa terá por "base uma parceria publico - social" com as instituições particulares de segurança social (IPSS) e as Misericórdias e será financiado com fundos comunitários, receitas do jogo e do Orçamento do Estado.