O deputado do PAN explicou esta sexta-feira que a abstenção de quinta-feira à moção de rejeição do PSD e CDS-PP ao Programa do Governo “é claramente um voto de confiança” no Governo de António Costa, mas que a natureza continuar “a ser o parente pobre” já que “tudo se subjuga à economia”.

“Pese embora algumas medidas importantes de proteção e causa animal terem sido inseridas no programa deste Governo, assim como o desagravamento a curto prazo das condições de vida das pessoas, para o PAN ainda não é um sinal suficiente para que exista uma aprovação clara do programa”.


“Se nós discordássemos em absoluto ou entendêssemos que fosse insuficiente nós teríamos votado ao lado da moção de rejeição, como fizemos anteriormente há três semanas”, enfatizou, citado pela Lusa, depois de uma visita à União Zoófila, em Lisboa.

O deputado do Pessoas-Animais-Natureza afirmou que assim foi dada a “indicação ao Governo do PS de que o partido não concorda e não se vê em tudo, mas estão a dar um voto de confiança, querendo e estando disponível para trabalhar.

“Medida a medida, nós poderemos trabalhar juntos e com certeza vamos conseguir ultrapassar medidas que são importantes quer para o Governo e para o PS, quer para o PAN”, assegurou, advertindo:

“Este programa de Governo, tal como todos os das legislaturas anteriores, continua a viver dentro de um sistema consumista, em que os recursos, os ecossistemas, a natureza são vistas de uma forma instrumental. Aquilo que temos vindo a verificar, ao nível dos vários governos, é que o ambiente, a natureza, a nossa casa comum acaba por continuar a ser o parente pobre e que tudo se subjuga à economia”


O PAN já tinha defendido na quinta-feira que o Programa do XXI Governo Constitucional "fica aquém de uma verdadeira preocupação com o ambiente, que continua a ser duramente castigado", justificando a sua abstenção à moção de rejeição.