A presidente da Assembleia da República afirmou esta quinta-feira que «as manifestações são um direito lá fora, mas um crime» dentro do Parlamento e garantiu o respeito pelo direito de acesso às perto de duas centenas de professores que continuam à porta.

«Já fui saber do que se passa. Foi-me transmitido de que tudo está a ser normalizado. Temos de ter o cuidado para que os direitos sejam respeitados. Que todos exerçam a sua auto responsabilidade. Faremos com que tudo decorra dentro da normalidade», assegurou Assunção Esteves.

Os líderes parlamentares de Bloco de Esquerda e do Partido Comunista Português, Pedro Filipe Soares e João Oliveira, respetivamente, tinham questionado a segunda magistrada da nação sobre o sucedido.

«Nenhum cidadão deve ser impedido de assistir aos trabalhos. Temos neste momento galerias vazias. Se há cidadãos que querem entrar, porque não podem entrar na casa da democracia?», insurgiu-se o deputado bloquista.

O parlamentar comunista disse que a sua bancada já tinha alertado a Mesa da Assembleia da República para o assunto e defendeu que «o direito que têm de acesso às galerias tem de ser preservado porque, de outra maneira, também se estaria a incorrer num crime».

Vários milhares de professores estão a manifestar-se no largo fronteiro ao Palácio de São Bento e largas centenas ficaram hoje à espera de entrar no hemiciclo, numa longa fila.

As bancadas públicas, com capacidade para cerca de 500 pessoas encontram-se apenas semi-preenchidas, e perto de 100 cidadãos, alegadamente professores, gritam «fascistas» e «vergonha» já no átrio da porta lateral do Parlamento, onde os agentes policiais não conseguem fazer o controlo de malas, pastas ou peças de roupa, através do detetor de metais.

O plenário da AR está hoje a discutir duas petições para anular a prova de conhecimentos exigida a todos os docentes contratados que queiram dar aulas e tenham menos de cinco anos de serviço e projetos de lei de todos os partidos relacionados com educação.