Por: Catarina Pereira | 20- 11- 2009 12: 29
O PSD absteve-se na votação dos sete diplomas que previam a suspensão do actual modelo de avaliação de desempenho dos professores,
pelo que estes foram inviabilizados, também com os votos contra do PS.
O único diploma aprovado esta sexta-feira
no Parlamento foi o projecto de resolução do PSD que recomenda que, no âmbito do processo negocial em curso e no prazo de
30 dias, seja revogada a divisão da carreira docente e seja concretizado um novo regime de avaliação. Os social-democratas
votaram a favor, todos os outros partidos se abstiveram.
Desta forma, a maioria do Parlamento decidiu que o actual
modelo de avaliação continua, numa altura em que o ministério da Educação negoceia com os sindicatos representativos dos professores
um novo modelo.
Quanto aos sete diplomas rejeitados, BE, PCP, PEV e CDS-PP votaram todos a favor, à excepção do
projecto de resolução do CDS, no qual PCP e PEV se abstiveram ao lado do PSD.
«A aprovação do nosso projecto de resolução
permite acabar com a divisão da carreira docente e em 30 dias teremos um novo modelo de avaliação, que fará parte da história
a curto prazo. E os professores que não entregaram os seus objectivos não penalizados. São grandes vitórias do PSD e percebo
que os outros se sintam incomodados por não fazerem parte da solução», comentou o deputado do PSD Pedro Duarte.
O
líder parlamentar do PSD, em conferência de imprensa a seguir à votação, acrescentou que «assim ficou provado que o exercício
de responsabilidade do PSD não é retórica, mas sim prática». «Sabemos colocar os interesses nacionais à frente dos interesses
partidários», disse Aguiar Branco.
«Se cedemos ao PS? Não cedemos a nada. Entendemos que a discussão semântica sobre
suspensão ou substituição tem menos importância que o resultado prático do nosso projecto», referiu, acrescentando que, caso
o Governo não cumpra o prazo de 30 dias, o PSD poderá apresentar um novo projecto-lei.
Oposição ataca PSD, PS
espera mais iniciativas do género
Como já tinha acontecido no debate da véspera, a oposição não gostou da posição do PSD, que travou a suspensão da avaliação.
«Não
criticamos a procura de compromissos, acordos ou negociações. É normal num Parlamento sem maioria. O que criticamos veementemente
é o conteúdo do acordo a que chegaram PS e PSD. Para obter esse acordo, o PSD deixou cair o seu compromisso e a sua palavra.
Em troco de quê? De um prazo de 30 dias», criticou Paulo Portas.
Para o líder do CDS-PP, «hoje a avaliação devia
ter sido suspensa». «Lamento que o PSD tenha tirado a mão aos professores e dado a mão ao Governo», atirou ainda.
Miguel
Tiago, do PCP, sublinhou que o seu partido «votou coerentemente a favor de todos os projectos com suspensão», enquanto Ana
Drago, do BE, assegurou que «a Assembleia acaba de aprovar uma incerteza» e que foi «o PSD que determinou o chumbo destas
propostas».
Francisco Assis, líder parlamentar do PS, congratulou-se com as votações e frisou a «expectativa de passar
outras iniciativas da oposição».
Na bancada, a assistir à votação, estiveram vários professores e sindicalistas,
entre eles, Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof.
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