A vice-presidente do PSD Teresa Leal Coelho desejou hoje que o PS possa brevemente dedicar-se «mais ao país e menos ao partido», escusando-se a pronunciar-se concretamente sobre a vitória de António Costa nas primárias socialistas.

«Não vou comentar as eleições no PS, aquilo que o PSD quer é que o PS possa, a breve trecho, estar em condições de se dedicar mais ao país e menos ao partido», afirmou Teresa Leal Coelho aos jornalistas à saída de uma reunião com o secretário-geral da CGTP-IN, na sede da central sindical, em Lisboa.

«O processo em curso que corra o mais depressa possível», desejou a vice social-democrata, sem mais comentários às primárias socialistas, ganhas pelo presidente da Câmara de Lisboa.

Teresa Leal Coelho, que é vereadora em Lisboa, também não transmitiu nenhuma posição do PSD acerca de uma eventual continuação de Costa à frente da autarquia da capital.

«Sobre essa matéria nós não temos nenhuma informação, a única coisa que posso dizer é que António Costa é presidente da Câmara Municipal de Lisboa hoje e é perante esse cenário que trabalhamos hoje», declarou.

António Costa venceu no domingo as primárias do PS ao recolher 118.454 dos 174.516 votos que os militantes e simpatizantes do partido depositaram nas assembleias de voto, conquistando 67,88% dos votos dos socialistas contra 31,65% ou 55.239 votos de António José Seguro.

O Ministro da Defesa também afirmou hoje que «uma clarificação no maior partido da oposição só pode beneficiar a qualidade da democracia portuguesa», acrescentando estar convencido de que nas próximas legislativas os portugueses saberão reconhecer o trabalho do Governo.

«A democracia vive da qualidade de quem governa e da qualidade da oposição e, portanto, uma clarificação só pode beneficiar aquilo que é a democracia portuguesa», afirmou José Pedro Aguiar Branco aos jornalistas, no Porto, comentando assim a vitória de António Costa as eleições primárias de domingo do PS.

Sobre a declaração de António Costa no domingo - «o primeiro dia dos últimos dias» do Governo, - Aguiar Branco referiu que o Governo «não tem a arrogância de substituir a vontade dos portugueses».

«O Governo foi eleito há três anos e pouco e tem um mandato para cumprir até outubro de 2015. Nós não temos a arrogância de substituir a vontade dos portugueses e a vontade dos portugueses há de ser expressa no momento próprio em relação ao balanço da ação do Governo», disse.

Aguiar Branco acrescentou estar convencido de que «os portugueses saberão reconhecer [nas próximas eleições legislativas] que um Governo tomou o país numa situação de pré-banca rota e deixa um país a discutir se vai crescer mais ou menos, se a taxa de desemprego vai descer mais ou menos, e se as exportações vão aumentar mais ou menos, é um salto qualitativo enorme e que mostra que cumpriu a sua missão».

«Na altura própria os portugueses saberão reconhecer isso e mostrar que o desafio de duas legislativas é aquele que permitirá ganhar sustentabilidade a esforço», sublinhou.

António Costa venceu no domingo de forma clara as eleições primárias que escolheram o candidato do PS a primeiro-ministro, num resultado que levou António José Seguro a anunciar a demissão do cargo de secretário-geral do partido.