O partido LIVRE, juntamente com a Associação Fórum Manifesto, Renovação Comunista e muitos subscritores do «Manifesto 3D», vão organizar uma convenção de cidadãos para 31 de janeiro, em Lisboa, contemplando «primárias» para a escolha de candidatos a deputados.

A nova força política da «papoila», do antigo eurodeputado pelo Bloco de Esquerda Rui Tavares, vai acolher a candidatura às próximas legislativas, em termos formais, já que a Lei impõe que só partidos políticos concorram, embora o processo de elaboração de listas seja aberto à participação de «todos os cidadãos», anunciaram os responsáveis em conferência de imprensa, em Lisboa.

Trata-se de «uma ideia de movimento que, como forma jurídica para ir a eleições se sustentará no LIVRE e sua inscrição como partido político no Tribunal Constitucional (TC), mas como forma cívica e política será um movimento de cidadãos num país em que a Lei não permite que movimentos não partidários se envolvam em eleições», explicou o historiador e dirigente do LIVRE.

Segundo Rui Tavares, os órgãos do partido irão posteriormente juntar, através de deliberação, a designação escolhida na convenção cidadã à sua designação oficial, junto do TC, de forma a que a mesma figure no futuro boletim de voto, além da «papoila» e da letra «L».

«Há quem veja o Governo como um fim em si mesmo, há quem veja como um tabu a evitar. Carece de representação aquela parte da população que vê o Governo, simplesmente, como um meio para um resultado que é o de garantir uma melhor governação, melhor implementação de políticas e a efetivação de uma política diferente para o país», afirmou ainda, assumindo a vontade de participar na ação legislativa.

A ex-deputada do Bloco de Esquerda Ana Drago, agora dirigente da Fórum Manifesto, juntamente com outro dissidente bloquista Daniel Oliveira, vincou a necessidade de convergência à esquerda e de adquirir um «mandato concreto e forte» no futuro sufrágio.

«Um bom resultado era que, no próximo momento em que os portugueses forem confrontados com escolhas difíceis para o futuro do país, houvesse a capacidade de criar uma alteração no campo político que permitisse uma alteração da governação», resumiu, escusando-se a definir objetivos em termos de mandatos ou percentagem de votos.

O professor universitário José Reis foi um dos muitos subscritores do «Manifesto 3D» - «Dignidade, Democracia e Desenvolvimento» - que também aderiram a este novo movimento de cidadãos, gorada que foi a tentativa de convergência das esquerdas ainda antes das últimas eleições europeias.

«Uma governação à esquerda faz-se, evidentemente, com o Partido Socialista (PS). E pode não ser uma governação à esquerda se, para além do PS, não houver uma plataforma, um compromisso, um programa, um entendimento que alargue», defendeu.

A maioria dos nomes que impulsionam esta iniciativa esteve também presente no Congresso Democrático das Alternativas, designadamente o evento de 05 de outubro de 2012, que juntou mais de 1.500 pessoas de diversas opções políticas à esquerda na Aula Magna, em Lisboa, entre eles Boaventura Sousa Santos, Isabel do Carmo, José Castro Caldas, Pilar del Rio, Ricardo Sá Fernandes ou Viriato Soromenho-Marques.

A Convocatória da Convenção para uma candidatura cidadã foi publicada no site tempodeavançar.net, e pode ser subscrita por qualquer cidadão nacional.