O dirigente socialista António Costa exigiu esta quinta-feira que o recenseamento dos eleitores das primárias seja rigoroso e transparente e advertiu que, se o processo das correr mal, o PS dará «um péssimo contributo» para a História.

Direção do PS quer «mínimo de transparência e democracia»

Esta posição, de acordo com fontes socialistas, foi assumida pelo presidente da Câmara de Lisboa na reunião da Comissão Política Nacional do PS, durante a discussão do regulamento das eleições primárias para a escolha do candidato socialista a primeiro-ministro.

Numa intervenção em que fez críticas à atuação da direção e da presidente do PS, Maria de Belém, António Costa contestou principalmente a proposta do secretário-geral do PS, António José Seguro, no sentido de encerrar as inscrições de simpatizantes e militantes apenas uma semana antes das eleições primárias de 28 de setembro, ou seja, no dia 21 desse mês.

«A qualidade deste processo de primárias depende da qualidade do recenseamento. É fundamental determinar a fidelidade, o rigor e a transparência com que serão elaborados os cadernos eleitorais», disse Costa, citado por fonte da sua candidatura.

De acordo com a mesma fonte, o autarca de Lisboa exigiu «credibilidade» na elaboração dos cadernos eleitorais das primárias, abrindo um período suficientemente dilatado para a apreciação de reclamações.

«Ora isto não se faz em 24 horas. O recenseamento é a base de qualquer sistema eleitoral. Quinze dias antes o contencioso em torno dos cadernos eleitorais tem de estar concluído. A menos que queiram que tudo se decida, como nos últimos tempos, através de pareceres que a presidente do partido pede à Comissão Nacional de Jurisdição», referiu, usando a ironia.

António Costa avisou depois que, se o processo das primárias não for transparente, «o PS estará a dar um péssimo contributo para a História».

«O PS é um partido fundador da democracia, não é um partido qualquer», concluiu.