O Presidente da República fez, esta quinta-feira, uma análise da evolução dos fatores favoráveis e desfavoráveis à confiança desde que tomou posse e concluiu que o Governo está "numa posição menos frágil", embora persistam problemas económicos de base.

Há assim que convir que, tudo somado, o Governo se encontra, sete meses volvidos, numa posição menos frágil em termos de afirmação política do que a do início do ano orçamental, mas envolvido num quadro económico de evolução complexa e problemática", declarou Marcelo Rebelo de Sousa.

O chefe de Estado falava no encerramento do seminário "Portugal: uma estratégia para o crescimento", organizado pelo Fórum para a Competitividade, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, na presença do presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, sentado na assistência.

Num discurso de 20 minutos, em que salientou a importância da confiança para a atração de investimento, afirmando que "a confiança é um bem imaterial, raro e volátil", Marcelo Rebelo de Sousa fez uma comparação entre o contexto que existia há sete meses, quando tomou posse como Presidente, e o atual.

Nestes sete meses, a estabilidade política, a permanência e coesão na fórmula de Governo, o arranque da consolidação dos bancos e o respeito das metas para o défice do Orçamento do Estado ajudaram e ajudam a melhorar o panorama do começo do ano", considerou.

Contudo, acrescentou: "A evolução económica de base e a manifesta complexidade na conjugação entre cumprir o défice, continuar a dar benefícios sociais e criar condições para o investimento - a subida da montanha, no dizer do senhor primeiro-ministro - são, ao invés, os problemas de tomo que persistem como preocupações de fundo neste final de 2016 e quase viragem para 2017".

Marcelo Rebelo de Sousa observou que, "ainda assim, do lado dos reticentes à presente fórmula governativa, a análise é clara: este Governo, com esta base de apoio e estas medidas sociais ou não vai durar, ou se durar não cumpre o défice, ou se durar e cumprir o défice condenará a economia a não crescer por muito tempo".

Do lado dos apoiantes da fórmula governativa, os argumentos são os opostos: o Governo durou, sobreviveu a sucessivas previsões de queda, cumprirá os défices, promoverá mais justiça social e não desistirá de maior crescimento económico nos anos seguintes, com a expectativa de maior flexibilidade europeia", descreveu.

 

"Muitos investidores não acreditavam na nova solução governamental"

O Presidente da República afirmou, também, que a sua "incessante ação interna e externa" no início do mandato teve como objetivo aumentar a confiança, num contexto em que "muitos investidores não acreditavam na nova solução governamental".

Marcelo Rebelo de Sousa considerou que, quando tomou posse, há sete meses, havia "mais razões à partida contra a confiança do que a favor dela".

Segundo o chefe de Estado, "muitos investidores não acreditavam na nova solução governamental, ou discordavam da sua orientação social no conteúdo ou no ritmo, ou previam a sua curta duração, ou mais abertamente defendiam a sua queda forçada e rápida substituição".

"Foi com este panorama, em termos amplos, que o Presidente da República se deparou ao entrar em funções, em 09 de março último, e que motivou a sua incessante ação interna e externa, para minimizar fatores negativos e maximizar fatores positivos de confiança", acrescentou.

E teria mesmo de ser incessante para poder tentar algum efeito sensível", defendeu.