Os incêndios do passado domingo e o rasto de destruição causado no país, além de parecerem mostrar que "as instituições nem para situações pré-anunciadas estavam preparadas", são motivo mais do que suficiente para correções e alterações no Orçamento do Estado para 2018, na opinião de Manuela Ferreira Leite.

Na TVI24, no seu habitual comentário semanal, a antiga ministra das Finanças considerou que o Orçamento "tem opções e prioridades e se depois deste fim de semana não há alterações, torna-se absolutamente inviável".

O país está mais pobre, o cenário macroeconómico já não é o mesmo em termos de previsão de crescimento", acentuou a comentadora, que acredita que a proposta deverá "ter profundas alterações": "Senão não responde. Então mantém-se tudo na mesma e vêm uns dinheiros da Europa para reparar os estragos? Isto não foi só o Pinhal de Leiria que ardeu. É a destruição de muitas zonas que estão neste momento moribundas.

Elogiando a comunicação ao país de Marcelo Rebelo de Sousa, a comentadora mostrou-se crítica face à falta de resposta demonstrada para lidar com os incêndios do fim de semana, sobretudo, quatro meses após a tragédia de Pedrógão Grande.

Houve gente que parece ter ficado de braços cruzados à espera do relatório sobre Pedrógão", afirmou a antiga ministra, considerando que tal também contribuiu para uma alteração de discurso de Marcelo Rebelo de Sousa.

Além do tom diferente do Presidente da República, face ao que apresentou aquando de Pedrógão Grande, para Manuela Ferreira Leite o discurso "foi notável, porque teve um misto de sentimento e um misto de análise objetiva concreta muito lúcida e muito incisiva".

Crítica foi também a antiga presidente do PSD face à moção de censura que será debatida no Parlamento na próxima terça-feira.

A moção de censura é um instrumento político, mas tem a consequência imediata: é um favor enorme que o CDS está a fazer ao Governo", defendeu Ferreira Leite, considerando que a rejeição parlamentar irá solidificar "alguma pouca legitimidade que se atribuía" ao Executivo do PS, por não ter sido o partido mais votado.

Quanto ao apoio à moção do CDS por parte do seu partido, a antiga presidente dos sociais-democratas acha que "o PSD não tem outra solução senão apoiá-la".