O candidato presidencial Henrique Neto disse esta quinta-feira à Agência Lusa que o Presidente Cavaco Silva fez bem em indigitar como primeiro-ministro Passos Coelho, porque não tinha verdadeiramente outra alternativa.

"Acho que o senhor Presidente da República fez bem, verdadeiramente não tinha outra alternativa no meu juízo. Não começou bem, acho que devia ter ouvido os partidos antes de qualquer outra decisão e não o fez", disse Henrique Neto.


O candidato presidencial, que falava em Castelo Branco à margem da conferência "Uma Visão para Portugal", do Instituto Politécnico local, adiantou que Cavaco Silva deveria ter começado por reunir os dois líderes dos dois maiores partidos – Pedro Passos Coelho (PSD) e António Costa (PS) - no sentido de incentivar que eles se entendessem com o patrocínio do Presidente da República.

"Isso não aconteceu, agora fez o que deveria ser, dar uma oportunidade ao partido que ganhou as eleições e que teve a maioria dos votos de formar Governo e apresentá-lo à Assembleia da República. Claro que sabemos que a Assembleia da República pode ter uma maioria de esquerda, mas isso só se sabe verdadeiramente quando acontecer", disse.


Questionado sobre o futuro, Henrique Neto adiantou que se o Governo for derrubado, como é previsível que aconteça, e surja um governo do PS, "um governo de esquerda haverá interrogações, não por que haja qualquer falha de legalidade constitucional, mas durante 40 anos não aconteceu", sublinhou.

"Por isso acho que até é bom que haja algum tempo para que o PS e os partidos à sua esquerda cheguem ou não cheguem a um acordo. Têm mais tempo para que, se chegarem a um acordo, ele seja sólido. Vai passar algum tempo e dá mais tempo ao PS para chegar a uma conclusão mais sólida se é que vai chegar a essa conclusão", concluiu.


O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, anunciou numa comunicação ao país que indigitou o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, para o cargo de primeiro-ministro.

"Lamento profundamente que, num tempo em que importa consolidar a trajetória de crescimento e criação de emprego e em que o diálogo e o compromisso são mais necessários do que nunca que interesses conjunturais se tenham sobreposto à salvaguarda do superior interesse nacional", afirmou o Chefe de Estado.

Cavaco Silva considerou que, apesar do Governo PSD/CDS-PP poder não assegurar inteiramente a estabilidade política necessária, "a alternativa claramente inconsistente sugerida por outras forças políticas" teria consequências financeiras, económicas e sociais "muito mais graves".