O candidato presidencial Marcelo Rebelo de Sousa vai deslocar-se, em breve, a Paris para contactos presenciais com quem viveu de perto os atentados terroristas da passada sexta-feira, que fizeram pelo menos 129 mortos, entre os quais dois portugueses.

O anúncio foi feito numa conferência em Bruxelas, perante uma audiência de portugueses, com o antigo líder do PSD a caracterizar os ataques como “dramáticos e selváticos”, considerando que devem ser condenados, além de obrigarem a uma ação.

“Onde não foi possível prevenir, ou porque era e não se preveniu, importa agora agir”, disse o candidato presidencial, relatando que mantém vários “contactos à distância”, e que irá estar “brevemente, de forma presencial, com aqueles que estão a sofrer de forma mais próxima e direta todas as angústias da situação vivida”.

Marcelo Rebelo de Sousa quis enviar uma “palavra em particular” para as vítimas de origem portuguesa e para as suas famílias.

O candidato sustentou que o “chamado Estado Islâmico (que reivindicou os atentados) quis, entre outras coisas, prejudicar os refugiados da Síria, quis criar problemas a tudo o que a Europa estava a fazer no acolhimento” a essas pessoas.

“Vale a pena lembrar que a maior parte dos terroristas tem nacionalidade europeia e alguns residiam aqui ao vosso lado, o que significa ao nosso lado”, resumiu o professor de Direito, defendendo que a crise de migrantes na Europa deve ter uma “política integrada de ajuda aos refugiados, desde os pontos de partida”.

“Ao mesmo tempo, temos a necessidade de reconverter o FRONTEX (agência de gestão de fronteiras) numa verdadeira polícia externa da União e não apenas do espaço Schengen”, acrescentou Rebelo de Sousa, referindo que deverá haver “decisões ponderadas” que tenham em conta as consequências da reposição das fronteiras, nomeadamente económicas, sociais, além de políticas.

O “problema imediato do referendo britânico (sobre a saída da UE)”, que pode “abrir um precedente muito complicado no quadro da União Europeia, foi outra das questões levantadas pelo orador.

Nas perguntas feita pela audiência, que encheu um restaurante junto da sede da Comissão Europeia, surgiu um pedido de comentário sobre o lançamento de uma petição para Rui Rio avançar como candidato a Belém.

Marcelo Rebelo de Sousa indicou que, “num plano abstrato”, quando é “definido o rumo e se avança para determinado caminho, não se avança para ter angústias a meio do caminho”.

“Pode-se ter dificuldades, mas não se tem angústias. Fez, fez, e avançou com a convicção de que é importante para o país”, concluiu.

Já sobre uma questão sobre a possibilidade de os acordos entre os partidos de esquerda serem apenas conjunturais, Marcelo Rebelo de Sousa lembrou as suas posições sobre os poderes que um Presidente da República deve ter em Portugal, e disse que “pode e deve ter um papel de ajudar a encontrar a melhor solução governativa”.

Acrescentou que o ideal será trabalhar para governos que, “além de terem em linha de conta os resultados eleitorais, terem a possibilidade de serem viáveis e, ao mesmo tempo, consistentes e duradouros”, e que compete ao Presidente da República “apurar essa consistência e essa durabilidade”

“Portanto, eu não vejo como positivo para o país nem uma evolução parlamentarista no sistema do Governo, nem uma evolução presidencialista”, disse Marcelo Rebelo de Sousa, que notou ser essa a sua posição desde 1976.

Marcelo recordou ainda que o modelo constitucional tem possibilitado “prevenir ou resolver crises” por parte do Chefe de Estado.