O candidato presidencial Henrique Neto viu esta segunda-feira com “muita apreensão e pouca satisfação” a solução do Governo relativamente ao Banif, ficando surpreendido com a naturalidade com que os seus opositores na corrida a Belém aceitaram esta decisão.

Em declarações à agência Lusa, Henrique Neto considerou que “a comissão de inquérito parlamentar justifica-se”, mas aquilo que quer saber é “o que vai acontecer às pessoas, aos gestores e aos amigos dos gestores, aos partidos e aos governos e aos dirigentes que de uma maneira sistemática, ao longo de muitos anos, estão a deixar que a economia portuguesa se degrade, que o sistema financeiro entre em colapso e que ao fim do processo não sejam responsáveis e se limitem a dizer que agora não há nada a fazer”.

Vejo com muita apreensão e pouca satisfação e mais do que isso fico surpreendido que os outros candidatos à Presidência da República oriundos dos governos tenham aceitado, por aquilo que tenho ouvido, com tanta naturalidade esta situação do Banif”, criticou, recordando que este problema “é conhecido há anos” e que “ninguém fez nada durante três, quatro anos para resolver o problema”.


O empresário enfatizou que sendo conhecidas todas “as disfunções do sistema financeiro”, é “espantoso que não se tendo feito nada durante todo este tempo, ninguém tenha alertado para a situação e agora ninguém se importe que sejam os portugueses a pagar a conta”.

“Eu importo-me e não estou nada de acordo com a facilidade com que isto está a ser aceite”, lamentou.


Henrique Neto foi mais longe e disse não aceitar o raciocínio subjacente à ideia de não haver preocupação “em resolver as coisas em tempo útil, favorecer os amigos e os amigos dos amigos ao longo de anos e depois quando chega a 25.ª hora apenas se dizer: Agora não há mais nada a fazer”.

“Independentemente do que haveria ou não haveria a fazer nas atuais circunstâncias, aquilo que me interessa é o que não foi feito ao longo dos últimos anos e de saber porque é que o Banif chegou a esta situação”, condenou.


Para o ex-deputado socialista, se continuar esta atitude “é evidente que o país nunca mais vai sair desta situação de crise permanente e dos portugueses trabalharem para criar a riqueza que é destruída pelos governos de uma maneira sistemática”.

O Governo e o Banco de Portugal decidiram a venda da atividade do Banif e da maior parte dos seus ativos e passivos ao Banco Santander Totta por 150 milhões de euros, anunciou o Banco de Portugal em comunicado no domingo.

O Governo aprovou hoje em Conselho de Ministros o Orçamento Retificativo na sequência da venda do Banif ao Santander Totta, processo que envolve um apoio público estimado de 2.255 milhões de euros.