O candidato presidencial Marcelo Rebelo de Sousa considerou esta quarta-feira que é preciso esperar para ver a consistência do apoio a um eventual Governo do PS e a durabilidade possível desse executivo.

"Vamos ver, vamos esperar para ver", declarou Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas, no final de um encontro com a UGT, na sede desta central sindical, em Lisboa, depois de ser questionado sobre as garantias oferecidas pelos acordos assinados pelo PS com as forças à sua esquerda.

Segundo o antigo presidente do PSD, isso ficará esclarecido em breve: "Eu acho que os próximos dias vão esclarecer a solidez e a durabilidade possível do Governo, e vão também esclarecer a capacidade para haver um Orçamento que seja votado no parlamento e que possa resolver a situação financeira do país o mais rapidamente possível".

Interrogado sobre a atual situação política, na sequência da rejeição do Programa do Governo PSD/CDS-PP pelos partidos da oposição, Marcelo Rebelo de Sousa começou por fazer um apelo ao diálogo e à convergência nos próximos tempos, contra a crispação.

"A meu ver, mais importante é o que vai acontecer ao país nos próximos cinco anos, mas eu compreendo que o país está todo concentrado no que vai acontecer nos próximos cinco dias ou nas próximas cinco semanas", acrescentou, acedendo depois aos pedidos dos jornalistas para que comentasse em concreto a alternativa de Governo proposta pelo PS, com apoio parlamentar de BE, PCP e PEV.

De acordo com Marcelo Rebelo de Sousa, "o país precisa de um Governo que governe, um Governo que traduza o voto dos portugueses, ao mesmo tempo que passe no parlamento, que seja viável no parlamento, e que seja duradouro".

É desejável "que não dure meses, nem dure uma parte da legislatura", referiu.

"Durabilidade significa o resistir a questões de confiança ou de censura durante um período considerável de tempo, e, por outro lado, a capacidade de dotar o país de um Orçamento", completou, defendendo: "Agora o mais urgente é haver um Orçamento, porque já vamos entrar no ano de 2016 com um atraso no Orçamento do Estado".


O professor universitário de Direito manifestou-se convicto de que "os próximos tempos vão esclarecer" qual é "a consistência do que haja de acordo político em relação a esse Governo".

Interrogado se o Presidente da República deve ou não nomear o secretário-geral do PS, António Costa, primeiro-ministro, e se os acordos assinados entre os partidos da esquerda oferecem ou não garantias suficientes para a formação do Governo, o candidato presidencial recomendou: "Vamos ver, vamos esperar para ver".

"Os próximos dias e semanas vão ser esclarecedores", reiterou.

"Qual a consistência do apoio político a esse Governo? É isso que vamos ver com atenção, isso vai ser esclarecido. Em segundo lugar, a capacidade de rapidamente haver um Orçamento do Estado que seja votado com apoio parlamentar para poder ser aplicado no próximo ano", repetiu.