A contagem de votos dos emigrantes portugueses nas eleições presidenciais foi concluída nesta segunda-feira com os dados dos consulados de Londres e Caracas: no total, dos 301.775 inscritos, votaram 13.566, o que corresponde a uma abstenção de 95,5%.

Segundo a Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, a demora no escrutínio dos votos deveu-se a uma questão de logística, relacionada com a legislação que prevê que “em todas as assembleias onde há menos de 100 eleitores, os votos não podem ser contabilizados no próprio local”.

“Os votos têm de ser concentrados na secção mais próxima do Consulado e só depois disso é que o próprio Consulado também abre as urnas”, explicou à Lusa a mesma fonte.

Ao todo, votaram, apenas 4,5% dos emigrantes inscritos: dos 1.386 emigrantes registados no consulado de Londres, votaram 291, ou seja, 21%, e em Caracas, de um universo de 9.254 inscritos, votaram 148, o que equivale a 2%.

Outro atraso no apuramento dos resultados eleitorais ocorreu também em Washington e Newark, onde a votação foi adiada devido a fortes nevões e só se realizou no passado fim de semana.

Em Newark, Rebelo de Sousa conseguiu 60.87 por cento dos votos, contra 21.74 por cento de Sampaio da Nóvoa e 8.70 por cento de Vitorino Silva.

Em Washington, o novo Presidente da República teve 53.09 por cento dos votos e Sampaio do Nóvoa empatou com Marisa Matias, com 14.81 por cento.

Em ambas as cidades, a abstenção foi esmagadora: apenas 11.08 por cento dos eleitores em Washington foram às urnas, ainda assim mais do que os 0,54 por cento que votaram em Newark.

Com estes números, ficam fechados os resultados nos Estados Unidos, onde apenas 2,95 por cento dos 12.797 eleitores registrados votaram.

Marcelo Rebelo de Sousa venceu, então, com 57.95 por cento dos votos, contra os 23.99 por cento recolhidos por Sampaio da Nóvoa e 8.09 obtidos por Marisa Matias.

Apesar de o voto destes emigrantes ter acontecido num momento em que já não alteraria o resultado final, vários eleitores fizeram questão de exercer o seu direito.

Marcelo Rebelo de Sousa foi eleito a 24 de janeiro Presidente da República com 52% dos votos em território nacional, uma percentagem acima dos 50,5% conseguidos pelo seu antecessor, Cavaco Silva, na primeira eleição, em 2006.

O ex-líder do PSD e comentador político tornou-se o quinto Presidente da República portuguesa desde o 25 de Abril de 1974, numas eleições em que se registou uma abstenção de 51%.

De acordo com os dados do Ministério de Administração Interna, Marcelo obteve 52%, seguindo-se Sampaio da Nóvoa (22,89%), independente apoiado por personalidades do PS, Marisa Matias (10,13%), apoiada pelo BE, Maria de Belém (4,24%), militante do PS, Edgar Silva (3,95%), apoiado pelo PCP, Vitorino Silva (3,28%), Paulo de Morais (2,15%), Henrique Neto (0,84%), Jorge Sequeira (0,3%) e Cândido Ferreira (0,23%).