O secretário-geral do PCP afirmou hoje que Marcelo Rebelo de Sousa "não quer parecer, mas é" o candidato da direita nas eleições presidenciais, referindo que PSD e CDS-PP querem "fazer um ajuste de contas" com os portugueses.

"Creio que existe cada vez mais compreensão das pessoas para o que está em causa. Não gostamos de fazer juízos de valor pessoais, mas existe a compreensão de que estamos perante o candidato da direita, do PSD e CDS, que querem aproveitar as presidências para fazer um ajuste de contas com os portugueses que os derrotou nas legislativas. Marcelo Rebelo de Sousa é, mas não quer que parece que é", disse Jerónimo de Sousa, no concelho de Sesimbra.


O líder comunista esteve hoje numa visita ao mercado da Quinta do Conde, onde distribuiu cumprimentos, questionou os comerciantes sobre o estado do negócio e posou para algumas fotografias.

Durante o dia de hoje continuará pelo distrito de Setúbal, com passagens pelos concelhos do Montijo e Alcochete.

"É exagerado dizer que estamos a jogar em casa, mas até pela nossa influência social e eleitoral, [Setúbal] é um distrito a ter em conta. O que verificamos neste contacto no mercado é que existe um bom ambiente em torno do PCP e da candidatura de Edgar Silva. A forma como fomos recebidos falou por si", sublinhou.


O secretário-geral do PCP disse depois que acredita ser possível criar condições para chegar a uma segunda volta nas eleições presidenciais, considerando que para isso é indispensável uma "forte votação" em Edgar Silva, candidato apoiado pelo PCP.

Jerónimo de Sousa voltou, ainda, a apontar baterias a Marcelo Rebelo de Sousa, frisando que não ouviu o candidato falar da tarefa fundamental de um Presidente da República - “defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição”.

"Não é um Presidente para governar, para estabelecer mais ou menos consensos, mas sim cumprir a Constituição. Temos que exigir ao Presidente aquilo que é devido", salientou.


A terminar, Jerónimo de Sousa mostrou-se preocupado com a abstenção.

"A abstenção tem vindo a subir significativamente e as sondagens pecam por lhe faltar essa vertente da abstenção. Estamos a tentar combater a abstenção, tentando mobilizar as pessoas para o voto a 24 de janeiro", concluiu.