"Há algum madeirense que morou aqui?". É a pergunta que salta assim que vê a placa que indica a Rua da Madeira. Em plena Cova da Moura, Edgar Silva apressa-se a encontrar um conterrâneo. Afinal há sempre um madeirense em qualquer local do país.

Pelo caminho de ruas estreitas, conta a história de outro bairro, o da Curraleira, que conhece bem, onde "o madeirense" era famoso, na altura, não pelos melhores motivos. "Era a autoridade lá, por outras razões, mais complicadas". Mais à frente encontra "a madeirense". Os cabelos brancos adivinham uma vida mais por cá, do que por lá. Rita conta que já ali vive há 40 anos, mas faz questão de manter a pronúncia. Confessa que gosta do jeito de falar dos "ilhéus" e que assim não se esquece do lugar onde nasceu. Edgar, contente, volta a contar a história do madeirense da Curraleira. Rita, aponta para a casa improvisada que a acolhe neste bairro problemático da Amadora.

Acabam a tratar-se por vizinhos, por afinal um é de São Gonçalo e outro de Santo António, duas freguesias do Funchal. No fim, sem lhe perguntar como tem passado, Rita diz que "está tudo ok". "Nunca me deixo ir abaixo, o madeirense tem de ter força, até tenho um nome bonito... Rita Canelas, não cai!". Edgar, acata a lição.

O candidato presidencial sorri e parte para a rua seguinte, onde se prepara para cumprimentar todos com quem se cruza pelo caminho. A maioria, aqui, é imigrante. Muitos nem podem votar, mas isso pouco importa. Afinal, em cada esquina deste bairro há sempre um pouco de casa. Edgar Silva que o diga.