Sampaio da Nóvoa, “Tó Mané” para os mais próximos, esteve “em casa” ao sexto dia de campanha. Apesar de ser natural do Minho, o candidato a Belém visitou, nesta sexta-feira, uma das terras que o viu crescer: a Póvoa de Varzim.

Mas, antes de chegar à terra da "menina Irene" e do café Guarda Sol, Sampaio da Nóvoa encontrou-se com pescadores na Afurada, onde os pedidos para ajudar a rever as quotas de pesca foram muitos.
Só pedimos as 20 mil toneladas [de sardinha]. É um pedido razoável. Com nove mil vamos sair para o mar para quê? Não dá para sobreviver, afirma Marcos Correia, da Associação de Pequena Pesca de Cerco.

Mas não é o único. Maria dos Anjos vende peixe à porta de casa e começa a gritar o seu pregão - “Fanecaaaaaa! Carapaaaau! Petiiiiinga!” – quando vê a multidão a aproximar-se. A esperança de vender algum peixe assim o obriga. Mas, nem todo o peixe é português.

A petinga é espanhola. Os barcos não saem para o mar desde setembro. Como é que a gente vive?

Sampaio da Nóvoa ouve todas as críticas e pedidos dos habitantes da Afurada que o abordam a caminho do ancoradouro onde, com grande mestria, ajuda um pescador a desembaraçar uma rede de pesca.
 
"Não estou nem à caça nem à pesca de votos. Ando a falar com pessoas.” Com as pessoas e com os jornalistas, que o questionam sobre o Orçamento do Estado de 2016, que continua por apresentar.
 
"Falarei do Orçamento, quando houver orçamento. Até lá não faço outro comentário a não ser um comentário genérico de confiança, para que seja possível organizar um bom orçamento e que esse orçamento seja um orçamento que possa resultar num novo tempo que se está a abrir em Portugal."


“O bom filho à casa torna”


O ditado popular bem se poderia aplicar à segunda visita da manhã. Sampaio da Nóvoa chegou à Póvoa de Varzim pouco antes do meio dia e foi recebido por muitos apoiantes desconhecidos, mas também por gente que o viu crescer e não quis perder a oportunidade de o saudar e dizer-lhe que “a vitória está já aí”.

Uma das presenças mais especiais neste sexto dia de campanha foi a do pai do candidato, Alberto Sampaio da Nóvoa, que confessou não ter ficado “surpreendido” com a decisão de “Tó Mané” (forma como o professor é tratado pela família) se ter candidatado a Belém.

Não fiquei surpreendido. Acho que é uma coisa normal e que de facto ele tinha todas as condições para isso.  Ele pediu-me opinião e de certeza que lhe disse: ‘Tó Mané, continuo a tratá-lo por Tó Mané, o que tu decidires podes contar comigo.

Antigo Ministro da República para os Açores, Alberto Sampaio da Nóvoa, afirma que o facto de o filho ter chegado tarde à política “não é entrave nenhum” para que esta candidatura seja bem sucedida.
A política também precisa de pessoas que venham de fora, da sociedade civil, da cidadania. E portanto, com a formação dele, com a vida que levou, com as qualidades que tem, pode perfeitamente desempenhar um lugar na política.

Opinião de pai, mas certamente partilhada pela “menina Irene” que acompanhou a infância deste filho da terra. 

Foi sempre bom rapaz. Um bocadinho maroto, pouquinho, diz a “menina Irene” à porta da ourivesaria que, nas férias de verão da infância de Nóvoa, era “ponto de paragem obrigatória” a caminho da praia.

 
A rua da Junqueira, em pleno centro da cidade, foi recheada por “abertura de portas” que levavam às memórias mais fortes da infância Sampaio da Nóvoa. “É muito bom recordar estes tempos passados.”

Mas o tempo é novo – como diz o slogan – e escasso e por isso mesmo é hora de uma visita de médico à sede de candidatura, onde Nóvoa, tal rapaz traquina, sobe para uma cadeira para agradecer o apoio ali recebido e garantir que “a força é cada vez maior”. Força que para o candidato tem o calor da “poveira” – camisola de lã típica da região – oferecida pelos apoiantes da Póvoa de Varzim.

 

O último ponto de visita na cidade foi o café Guarda Sol, situado já na praia, de onde as recordações também são bem fortes. Com o espaço invadido por uma multidão, um grupo de estudantes de Braga olhava surpreendido para o que começava a acontecer.

Inicialmente, o nome e a cara do candidato, que foi amplamente reconhecido pelas ruas da Póvoa, nada disse aos estudantes. Mas após um cumprimento e uma breve troca de palavras, os jovens comentavam entre si que se tratava de Sampaio da Nóvoa, “que quer ser Presidente da República”.