O vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, considerou hoje que o programa que concede vistos «gold» a estrangeiros em troca de investimento excedeu largamente o objetivo inicial e está a ajudar na dinamização do mercado português, sobretudo do imobiliário.

Segundo fonte oficial do gabinete do vice-primeiro-ministro, Portugal concedeu essencialmente até sexta-feira 471 vistos «gold», que se traduzem num volume de investimento de 306,7 milhões de euros no país.

«O facto de termos captado mais de 300 milhões de euros de investimento só através dos chamados vistos "gold" em apenas um ano é um sinal muito prático de que Portugal está de volta ao "GPS" dos países em que é interessante investir», considerou Paulo Portas, numa declaração à Lusa.

O ministro realçou que «a meta dos 300 milhões de euros de investimento está 50% acima da previsão mais otimista feita no início do programa».

«Quando em 2012 me perguntaram qual era o potencial da iniciativa afirmei que seria um bom cenário pensar em 200 milhões de euros como primeira anualidade», afirmou.

Paulo Portas destacou que «a procura acelerou no segundo semestre, o que certamente também se deve à melhoria da perceção externa sobre Portugal».

«Todas as indicações que temos apontam para o facto de os vistos "gold" estarem a ter um impacto forte na dinamização do mercado imobiliário. As compras e vendas de casas e propriedades estavam muito paradas e isso era um sinal de recessão. O efeito dos vistos "gold" no crescimento do mercado imobiliário tem sido notado pelas agências e ajuda à retoma da economia», acrescentou, realçando que, «se Portugal não tivesse desenhado um programa que liga residência e investimento, os investidores iriam aplicar o seu dinheiro noutro país».

Para o vice-primeiro-ministro, este resultado «prova que há muitas e boas razões para um estrangeiro pensar em Portugal e investir: o clima, o mar, a natureza, o golfe, o surf, a história, o património, a gastronomia, o shopping de marca, o jogo, a segurança, o universalismo e, sobretudo, a hospitalidade dos portugueses».

O regime permite que cidadãos de países terceiros, que não pertençam à União Europeia ou não integrem o Acordo de Schengen, garantam uma autorização de residência em Portugal para desenvolver uma atividade de investimento.

Os dados revelados referem-se a 2013, já que o final de 2012 foi apenas de arranque do programa.

Das 471 autorizações de residência para atividade de investimento, a maior parte respeita a investimento em imobiliário, num total de 272,4 milhões de euros dos mais de 300 milhões de investimento em Portugal.

Os chineses continuam a liderar de forma destacada a lista dos cidadãos estrangeiros que recebem os chamados vistos «gold», seguindo-se cidadãos da Rússia, Brasil, Angola e África do Sul.